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Está hoje na França a chave da situação internacional?

Por Léo Rodrigues

 


Trabalhadores e estudantes recolocam hoje a real democracia nas ruas e nas barricadas do país da grande Revolução Burguesa. A situação política na França não cessa de se aprofundar. As mãos duras de Sarkozy ou amolecerão cedo ou tarde, ou se verão compelidas aos estilhaços e a derrota do regime endurecido será histórica, se o movimento logra superar no programa e na prática suas “direções históricas”.

Apesar das direções reformistas, trabalhadores e estudantes tem impelido a burocracia a ir por mais. A confiança do “sincero” intelectual orgânico da burguesia, Alain Minc, “Tenho a sensação que estamos em uma coreografia onde cada um joga um papel com muita responsabilidade porque os sindicatos na França são muito responsáveis. (…) Nunca poderemos esquecer o papel que tem jogado no pior da crise e eu penso então que esta coreografia não terminará com um enfrentamento insuportável” (diretíssimo), só pode ser relegado ao lixo histórico pela força das massas e suas vanguardas conscientes.

Assim o ultra-adaptado Partido Socialista, que votou no parlamento a reforma das aposentadorias, foi forçado pelas massas a se colocar agora publicamente pela revogação da reforma anti-operária, não por princípio socialista, mas aproveitando-se de um possível profundo desgaste de Sarkozy com vistas às eleições presidenciais de 2012. A lógica das direções tradicionais como CGT e CFDT de conter os trabalhadores por via das já mais acostumadas greves gerais de um dia, lógica à qual também o regime burguês confia profundamente e joga suas fichas como forma usual de contenção, tem sido superada pelo impulso da real força que vem de baixo. Os sindicatos burocratizados, que se neutralizaram como ferramentas históricas para o combate da classe operária nas mãos das cúpulas sindicais, poderão agora ser compelidas à dança e se afastar de seus métodos de diálogo social a fim de manter qualquer nível de controle sobre as massas. As greves gerais por tempo indeterminado se adiantam em setores chaves da economia, como as refinarias, portos, os transportes e chega inclusive a se generalizar por setores inteiros em algumas regiões. Os chamados a essas batalhas se multiplicam. Mesmo as lógicas burocráticas de direção das centrais sindicais, com assembléias por setores, reforçando o corporativismo, vem sendo, em pequeno por ora, quebradas por Assembléias Gerais de diversos setores, onde atuam conjuntamente trabalhadores públicos e privados e estudantes secundaristas e universitários.

Mesmo as direções da esquerda como o NPA, foram acordadas pelo ímpeto das dinâmicas mobilizações, e Olivier Besancenot, figura principal do partido anticapitalista, teve que sair publicamente a dizer que estamos às portas de um novo Maio de 68. É preciso, entretanto, que estas direções apontem os caminhos para que se concretize de fato, o que por ora ainda está longe, um novo Maio francês, o que não se tem feito. Caberá aos marxistas revolucionários, como já temos feito desde o Coletivo por uma Tendência Revolucionária no NPA, pressionar estas direções e apontar um programa ligado às práticas históricas da democracia operária para que os trabalhadores vençam a reforma de Sarkozy e possam apontar no caminho de superação de seus representantes burgueses.

As contradições econômicas que tem se espalhado subterraneamente por toda a Europa e já há muito se acumulam pelo mundo desde o primeiro capítulo da crise, e na França as épocas de crise e de fissuras na cobertura social da burguesia explodem sempre numa voltagem mais intensa, com a gravidade das erupções revolucionárias das Jornadas de Junho de 1848 e da grande Comuna de Paris de 1871, além do Maio de ‘68. Parece a França apontar hoje o principal pólo de avanço na luta de classe, que poderá ser vanguarda na árdua tarefa dos revolucionários em quebrar o elemento mais atrasado que permitam aos operários desatar o futuro da revolução socialista, a subjetividade e a moral das massas incessantemente atacada nas últimas décadas.

Assim, é preciso que acompanhemos com uma lupa o desenvolvimento da dinâmica situação francesa, captar os mais mínimos vai-e-vens das contradições que se acirram e estar atentos para que caso se adiante, façamos da força dos trabalhadores e estudantes franceses uma arma internacional a favor do trabalho em detrimento do capital.

Na mídia, um trabalhador das refinarias, bastião importante dessa convulsão política incipiente, disse que se “o governo envia a polícia para reprimir, havia que fazer a insurreição.” Congratulamos esse espírito de combate e as mobilizações na França!

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