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É preciso que os estudantes e os intelectuais marxistas se levantem: Em defesa do direito de greve dos trabalhadores!

Simone Ishibashi

“A grande indústria aglomera num mesmo local uma multidão de pessoas que não se conhecem. A concorrência divide os seus interesses. Mas a manutenção do salário, este interesse comum que têm contra o seu patrão, os reúne num mesmo pensamento de resistência – coalizão. A coalizão, pois, tem sempre um duplo objetivo: fazer cessar entre elas a concorrência, para poder fazer uma concorrência geral ao capitalista. Se o primeiro objetivo da resistência é apenas a manutenção do salário, à medida que os capitalistas, por seu turno, se reúnem em um mesmo pensamento de repressão, as coalizões, inicialmente isoladas, agrupam-se e, em face do capital sempre reunido, a manutenção da associação torna-se para elas mais importante que a manutenção do salário. […] Nessa luta – verdadeira guerra civil -, reúnem-se e se desenvolvem todos os elementos necessários a uma batalha futura.”

Marx – Luta de classes e luta política, abril de 1947

 

A defesa do direito de greve como forma elementar dos trabalhadores se organizarem por seus interesses contra o dos capitalistas sempre esteve no centro do pensamento de Marx. A greve segue sendo via essencial que abre as portas para o questionamento, por parte do trabalhador, da competição entre os mesmos de sua classe, e que assim possibilita o questionamento da alienação e do estranhamento de sua própria atividade imposto aos trabalhadores pelo capital. Assim sendo, nunca houve para Marx, bem como para os revolucionários que seguiram sua tradição, como Lênin e Trotsky, qualquer espécie de separação entre a defesa teórica e a defesa prática da emancipação dos trabalhadores, o que passava invariavelmente pela defesa intransigente dos direitos elementares de organização e combate da classe trabalhadora, dentre os quais o mais fundamental é o direito de greve. Hoje, quando o III Colóquio Marx e os Marxismos tem lugar na USP, e diversos estudantes e professores apresentam suas elaborações marcadas por esta vertente teórica, está acontecendo uma verdadeira ofensiva contra o direito de greve dos trabalhadores, que se dá tanto em âmbito nacional, quanto nas universidades estaduais paulistas, tendo a USP como epicentro.

No plano nacional, o presidente “ex-operário”, Lula, acaba de declarar que não “se deixará pressionar” pelas greves protagonizadas pelos servidores públicos federais, e chega a ameaçar os trabalhadores do Incra com o corte de ponto. Aqui, em nossa universidade, o reitor de José Serra, Rodas, vem há tempos tentando cercear o direito de greve dos trabalhadores, também ameaçou os trabalhadores com o corte de ponto antes mesmo da greve começar, o que constitui na prática uma intimidação inadmissível, que atua contra o direito constitucional de greve. Ao mesmo tempo, segue mantendo a demissão ilegal de Claudionor Brandão, o que na prática equivale a um ataque ao sindicato, além de fazer afirmações caluniosas contra os trabalhadores ao dizer que a USP estaria sendo transformada “no Haiti ou em um morro do Rio de Janeiro”, mostrando sua visão preconceituosa. Na Unicamp os trabalhadores são vigiados pela polícia enquanto exercem seu direito de greve.

Nós, estudantes e intelectuais, que vemos como o marxismo mostra ser a única teoria capaz de explicar o capitalismo, bem como a atual crise pela qual passa, que pode oferecer uma visão totalizadora de suas contradições, e acima de tudo, que conduz a atuação como um guia para a transformação da realidade, não podemos deixar de tomar em nossas mãos a defesa do direito de greve dos trabalhadores e o combate à ofensiva que busca criminalizá-lo. O repúdio às teorias pedantes e impressionistas que declararam o marxismo como morto, deve se dar também na realidade.  

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