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Manifesto Iskra aos intelectuais – greve do funcionalismo público 2010

Chamado à intelectualidade marxista

Em 1842 Marx escrevia “a teoria torna-se força material quando penetra nas massas”; mas por contraditório que possa parecer, essa lição dialética fundamental de Marx tem servido e sido um princípio não dos intelectuais marxistas, mas da intelectualidade burguesa e reacionária. É assim que cotidianamente temos visto ataques sistemáticos ao maior pólo da luta de classes hoje no Brasil, expresso na greve das operárias das universidades estaduais paulistas.

A situação da greve nas universidades de São Paulo é extrema. Na USP, a mais reconhecida e importante universidade do país, os trabalhadores tiveram seus pontos cortados e muitos passam situação demasiado difícil para se manterem. Além disso, o sindicato, os trabalhadores e a greve em geral é atacada pessoalmente pelo reitor, o professor João Grandino Rodas. Além da coerção financeira ao sindicato, Rodas cortou o ponto de mais de mil trabalhadores, descontando mais da metade de seu soldo mensal, acentuando a gravidade da situação dos trabalhadores – estes, entretanto, continuam bravamente na luta. Os trabalhadores são enxovalhados como arruaceiros, baderneiros, vândalos e ingratos em seus serviços públicos. Rodas tenta colocar a população contra os trabalhadores, e opera incansavelmente nessa papel de contendor pela hegemonia ideológica, em chave reacionária. Mas os trabalhadores reagem, e na última segunda-feira ocuparam a reitoria, avançando nos métodos clássicos da classe operária, radicalizando na forma e no conteúdo.

Nas estaduais do interior, a greve se mantém forte, a despeito dos ataques indiretos e similares que recebem. Além dos intelectuais orgânicos da burguesia, que trabalham nos bastidores para destruir a greve, pressionando os funcionários e usando do aparelho burocrático acadêmico para influir na greve, na Unicamp e na Unesp encontramos ainda uma burocracia sindical consolidada que, nesse momento, trabalha de todas as formas para atacar a greve, colocando a discussão o mais corporativamente possível e afastando as conexões e os nexos internos recíprocos ao movimento estadual paulista, que determinam uma luta não só por uma quantia mínima de salário melhor, corporativista, mas sobretudo por outro projeto de universidade, desvinculado das presentes estruturas de poder burocrático, das suas formas de controle pelo capital privado, pela subsequente corrupção acadêmica e educacional que este conjura e, nesse sentido, para que a universidade esteja a serviço da classe trabalhadora, do povo pobre e dos seus interesses.

Ou seja, se os trabalhadores avançam na radicalização, na guerra de movimento, faz-se necessária a solidariedade ativa de outros segmentos e, aqui, chamamos a atenção para os intelectuais: é necessário que em cada meio, em cada espaço aberto, a intelectualidade marxista brasileira se posicione contra os ataques aos trabalhadores das estaduais, colocando que são ataques fundamentais contra o direito de greve, direito ao salário e à organização política, questões democráticas mínimas que hoje se esvaem pelas determinações e imperativos categóricos do capital nas universidades, apoiados sobretudo pelo governo estadual de José Serra, mas também aplicados nacionalmente pelo regime de Lula.

Que os intelectuais se reunam e elaborem um manifesto também, um documento que penetre nos meios de massa e influencie o máximo possível e que seja uma força determinante nessa luta que se estabelece agora. Instigamos os intelectuais do CEMARX/Unicamp inclusive, um reduto teórico do marxismo na universidade, a formular uma declaração conjunta em defesa da batalha dos trabalhadores; isso deve-se reverter em ações efetivas em defesa do direito de greve. Para além disso, chamamos para que contribuam financeiramente com o fundo de greve dos trabalhadores que ocupam atualmente a reitoria da USP. É crucial que essa guerra de classes travada hoje nas estaduais paulistas não feneça nem por ausência de recursos nem por falta de explosão; que ela siga firme até o fim, recebendo todo o auxílio para que a greve operária triunfe.

Nós, da equipe Iskra, nos disponibilizamos em estabelecer contatos necessários e se oferecer a auxiliar qualquer iniciativa que apresente esse sentido classista que colocamos nesse texto.

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