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Resposta ao defensor histórico do direito dos cidadãos… capitalistas

 Leonardo Rodrigues

 

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Costa e Silva e Delfim Netto

Em 1902 Lênin já combatia, a duros brados, àqueles que se entrincheiravam em suas mini-certezas (e que por se tratarem de “meias verdades” se mostraram de cima a baixo erradas): “foi sob a bandeira da liberdade do trabalho, que os trabalhadores foram espoliados”. A má sorte de Antonio Delfim Netto é que nem sempre a aparência, já no primeiro olhar, pode ocultar a essência. Em seu artigo de opinião de ontem (Greves, 23/06/2010) na Folha de São Paulo, o economista as apresenta quase como símiles (nem mesmo a arte da retórica pôde ser apreendida por Delfim Netto).

A farsa de Delfim Netto se escuda atrás da defesa do direito do cidadão, o direito ao funcionamento pleno dos serviços públicos. A solução da problemática delfiniana se resolve na contraposição do respeito ao direito deste certo cidadão e o direito dos grevistas. Obviamente a paralisação do serviço público só poderia recair nas costas destes últimos, neste “peleguismo ideológico”. Nenhuma palavra ao Estado que nunca foi e nunca poderia ser o defensor dos serviços públicos saudáveis, afinal só é e só pôde ser o defensor dos interesses privados, aos grevistas (quase que uma categoria social, os grevistas profissionais da USP) todo o vômito burguês.

Fato é que o problema brasileiro, segundo Delfim Netto, está na desarticulação da administração pública dos últimos 25 anos; que desde Collor nunca “conseguimos aprovar nem sequer uma lei que regulamente o direito de greve do funcionalismo”, o ex-sindicalista bem sucedido [Lula], entretanto, apontou o caminho “greve sem desconto dos dias parados é uma féria[s] remunerada”, traduzindo, reação em toda linha. Faz-se necessário uma análise detida do encadeamento “lógico” de Delfim Netto, focaremos, para tanto, três pontos que nos parecem centrais.

Primeiro, os limites que Delfim Netto, voz da burguesia histérica, pretende por ao direito de greve, como o agora na moda corte de pontos, é na prática cortar pela raiz a causa própria. A greve sempre virá acompanhada, deste modo, de maneira forçada, da greve de fome das famílias dos trabalhadores. Ou seja, o direito de greve nega, assim, o próprio direito. Ao contrário do que pretende este economista, a greve não é a resolução dos conflitos de classe, senão a exacerbação do próprio conflito (fazer referência ao último texto de Souto Maior).

Segundo: aparentemente estranho que este economista burguês atribua a problemática às costas dos últimos 25 anos do Estado brasileiro. Quer dizer que anteriormente este problema inexistia? O direito de greve era, portanto, em seu lugar posto? Basta o corte de pontos, meu caro Delfim, ou a ditadura, mãe suprema dos direitos trabalhistas, lhe cai bem melhor? Nada estranho, caro leitor. É justamente este economista burguês o preferido dos ditadores, que em 1968 votou a favor do AI-5 e seguidas vezes foi Ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento destes governos. Nada estranho também que este discurso volte à tona, sem nunca ter deixado o encadeamento máximo de sua estrutura ideológica, em meio à crise que se intensifica e que já corta a cabeça dos trabalhadores da Grécia e de outros países europeus. Delfim Netto exercita e prepara as mentes burguesas para o futuro.

Por fim, e não menos central, é preciso mais uma vez afirmar: as meias palavras de Delfim Netto tentam, sem êxito, esconder seus reais interesses. Ao defender os direitos do cidadão, dessa maneira, em abstrato, esconde o motor primeiro desta sociedade, a luta de classes, que também se expressa no campo do direito. Como dizer do direito dos cidadãos contrapondo-o ao direito de greve? A greve é a forma primeira da manifestação dos interesses da imensa maioria da sociedade, dos assalariados, dos trabalhadores, dos operários, que se choca, oposto ao vértice, aos interesses da ínfima e abastada minoria, a burguesia (e seus defensores, entre eles, o Estado). Portanto, se Delfim Netto está mesmo preocupado com aquilo que chama de “cidadão”, e aí só podemos pensar no cidadão comum, o trabalhador, busca resolver o problema, o mal funcionamento dos serviços públicos, cortando-lhes a cabeça.

Sob tua bandeira de defesa do direito dos cidadãos, busca o fim do direito à vida dos trabalhadores. A resposta à tua preocupação mostram hoje os trabalhadores da USP. O direito de greve também se conquista com a greve.

Digo: ao contrário do que este burguês fétido propõe, o problema do trabalhador só será resolvido com a generalização da greve da USP, atingindo todos os setores públicos e privados, subvertendo os papéis e a ordem, de modo que os trabalhadores em greve passem de reivindicadores a resolutores de seus próprios problemas.

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  1. Alziro Zarur
    07/04/2010 às 9:23 pm

    Este é um retrato fiel do que foi e continua sendo um parasita teórico reacionário, que aposta no pouco nível de consciência dos cidadãos em geral e dos políticos em particular para ir tentando nortear a relação entre o capital e o trabalho no Brasil.
    E tudo indica que enquanto estiver vivo Delfim funcionará no mínimo como um consultor-mor dos que estiverem abrigados no centro do poder.

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