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Cortar ou ajustar? Terceirizar!

Léo Rodrigues 

A segunda onda da crise capitalista, que se encontra em seu início e ainda não perfilou por certo o ritmo em que se desenvolverá, mas que seguramente não se restringirá ao continente europeu, senão que é de proporções globais – qualquer visão contente sobre suas proporções só poderia trabalhar com uma estrutura mental do isolamento feudal, que arcaicamente ainda atinge hoje determinados lócus universitários –, há alguns meses já vem provocando uma resposta à altura – em chave reacionária – por parte dos Estados capitalistas. Nada há que esteja na lama e que não possa ainda se enfezar, quase no sentido literal do termo. O que já foi feito é pouco, mais vale o que será. Vejamos.

 

Os guardiões dos interesses da burguesia internacional, os Estados imperialistas e seus órgãos de representação internacional, já vêm apresentando medidas desesperadas para conter o super-endividamento dos Estados, bem como seus altos déficits em conta, que tem levado Estados como Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Inglaterra, Romênia, entre outros (em diferentes graus mas sempre descendente) à quase bancarrota total. Só para a Grécia já foram deslocados 110 bilhões de euros em um único pacote de resgate. Para a Europa como um todo a UE já consensuou disponibilizar um total de 750 bilhões de euros só no primeiro passo para a contenção da crise dos Estados. Sem contar os aproximadamente 10 trilhões já gastos pelos Estados com o primeiro capítulo da crise em 2008-2009 – que aliás foi a pedra de toque para o super-endividamento dos Estados e a inflação da dívida pública que hoje caracteriza o segundo capítulo da crise.

 

(cf. http://economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=200907311211_BBB_78269207)

 

Inocente daquele que imagina que destas mãos provém a benção, ainda que sob os olhos de Joseph Alois Ratzinger. Os chamados pacotes de resgate apresentados vieram, e sempre virão, em condição sine qua non do ataque profundo aos trabalhadores. Em anexo ao pacote, apresenta-se o que a burguesia costumou chamar de “planos de ajuste”, ou seja, o mais profundo corte do que ainda resta de qualquer Estado de bem-estar, com retirada dos mais mínimos direitos dos trabalhadores como cortes salariais, aumento da carga tributária, congelamentos das aposentadorias e cortes nos serviços públicos1. Da transferência da crise do setor privado ao setor público, tenta-se, deste modo pela segunda vez, sobrecarregar outras costas que suportem a crise, que não a sua: as costas dos trabalhadores.

 

Isso é tudo?

 

Sempre existem alas mais ousadas. Em artigo do Financial Times reproduzido no Valor Econômico de hoje (“Déficit faz cidade americana terceirizar serviços públicos”, 29/06/2010), apresenta-se uma saída mais exata para o capital. Sob a orientação expressa pela cúpula do G20 reunida neste fim de semana, que orienta a queda de 50% do déficit em conta até 2013 para os Estados, o governo da pequena cidade de Maywood, no sul da Califórnia, resolveu terceirizar tudo. “ Maywood optou por uma solução extrema, terceirizando a contratação de todos os serviços públicos, inclusive os mais básicos, para economizar dinheiro”, diz a matéria, para assim o Estado não se fazer cargo de nada, senão do lucro das empresas de terceirização e da miséria dos trabalhadores precários e subcontratados (obviamente apoiamos qualquer intuito de dissolução da polícia, que também foi atingida neste caso, mas não sob pretexto de recompô-la, senão de passar aos trabalhadores o jugo de sua defesa). E de fato Maywood não está sozinha, são mais de dez cidades que já entraram em contato para saber da façanha e faz-se espelho no combate à crise orçamentária, hoje aberta em diversos estados nos Estados Unidos.

 

Exemplos sob nossos pés não faltam. No Brasil, ara-se a terra para poder colher. Por todo o país percorre uma campanha reacionária contra o direito de greve, desde Lula, o “sindicalista”, ao REItor João Grandino Rodas, o ditador, são todos contra o elementar direito dos trabalhadores de exporem suas demandas. Nos dois casos, prepara-se terreno para as medidas de ajuste que se façam necessárias com a crise que se avizinha. Rodas medeia menos, pois seu passado nada poderia ter de filho do Brasil, senão dos ditadores do Brasil. Ao tempo que ataca o direito de greve dos trabalhadores da USP, em greve há quase dois meses e com corte dos salários dos dias parados desde o início a mais de mil e duzentos trabalhadores, aumenta em mais de 85% o orçamento com a terceirização dentro da universidade.

 

Na Grécia, no Brasil ou em seus reflexos é mais que premente que os trabalhadores tomem em suas mãos o seu futuro. O capitalismo não vai mais. Só os trabalhadores podem desatar o futuro da humanidade, é preciso triunfar!

 

É mais que urgente que os trabalhadores, seus partidos e sindicatos, no caso brasileiro especialmente, deve-se fazer cargo a Nova Central, lancem mão de uma ampla e ofensiva campanha pela defesa do direito de greve! Contra a terceirização, pela unidade das fileiras operárias!

 

1 Para análises mais profundas ver artigos em nosso site http://www.ler-qi.org/ 

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  1. 07/01/2010 às 6:29 pm

    Artigo muito oportuno. Espero que a Iskra fique atenta e continue analisando e reportando estes acontecimentos, no caso, funestos aos trabalhadores. Também sei que abordará quando houver os enfrentamentos necessários a esta escravização.

    PS. algo sem importânica. No cabeçalho do texto, seria interessante, se houver solução técnica, mudar a forma de datar.
    Mário Martins de Lima

  1. 07/01/2010 às 6:16 pm

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