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Especial Iskra: em homenagem aos 70 anos do assassinato de Leon Trotsky

 

por André Augusto

Neste dia 20 de agosto de 2010 se cumprirão 70 anos desde o assassinato de um dos dirigentes máximos da revolução russa de 1917 e fundador da IV Internacional, Leon Trotsky, pelo carrasco enviado a mando de Jósef Stálin, Ramon Mercader.  O Iskra dedicará as próximas publicações a um especial em homenagem à luta travada por Trotsky contra a oligarquia do Kremlin, a burocracia stalinista, que se provou o maior empecilho para a continuação da linha política e da tradição revolucionárias oriundas da Revolução de Outubro, e que teve conseqüências catastróficas mesmo para as fileiras que reivindicavam genuinamente o marxismo no pós-guerra. Assim como sua luta contra toda manifestação de arbitrariedade, opressão e exploração por parte das classes dominantes, eixos medulares do sistema de produção e social do capitalismo, em direção à revolução proletária mundial.

Nestas décadas de reação capitalista no terreno das conquistas materiais dos trabalhadores e de suas idéias, tornar a revitalizar as lições históricas legadas por Marx, Engels, Lênin e pela Quarta Internacional fundada por Leon Trotsky em 1938 significa começar a restabelecer com firmeza os débeis fios de continuidade que os trotskistas do pós-guerra – pertencentes à única organização a nível internacional que se contrapôs à enorme traição da direção stalinista, que nos processos revolucionários pós Segunda Guerra jogou um papel de freio consciente das massas e verdadeiro agente da ordem imperialista – não conseguiram manter vivos, unidamente à tradição revolucionária que carregavam. Restabelecer essa herança teórico-programática é também enfrentar de frente o “hábito” imposto pelas classes dominantes segundo a qual a única atitude dos trabalhadores e trabalhadoras no âmbito de trabalho deve ser a obediência, a submissão, a resignação às condições precarizantes de trabalho, a associação ingênua às condições do seu opressor. Significa combater, no terreno sólido da teoria científica da revolução, a falácia de que o que existe de melhor para os trabalhadores é o rápido crescimento do capital produtivo, ou seja, a lógica de que quanto mais rapidamente os trabalhadores incrementem e alarguem uma riqueza que não lhes pertence, um poder que lhes é hostil, mais ricas serão as migalhas que cairão das mesas dos capitalistas.

Os revolucionários marxistas não podemos deixar reinar a idéia de que a melhor saída existente para os trabalhadores é construir grilhões dourados com os quais a classe exploradora os arrasta; nem podemos permitir que os trabalhadores caiam nas armadilhas cotidianamente preparadas pela burguesia para que sirvam de força de alargamento do golfo social que os separa dos produtos de seu trabalho e de sua própria força produtiva de criação. Da mesma maneira, e com igual veemência, devemos denunciar insistentemente, reiteradamente, todos os organismos e mecanismos com que os exploradores tentam dividir as fileiras da classe trabalhadora, tentativas que têm como expoente o aparelho da terceirização do trabalho. Tudo isso no sentido de resgatar ao primeiro plano da subjetividade dos trabalhadores a perspectiva de uma sociedade, nas palavras de Marx, baseada na livre associação dos produtores.

Além disso, para o destino do proletariado, é chave lutar pela defesa do que resta das bases econômicas dos Estados operários ainda existentes, por mais burocratizados e deformados que estejam, pois sua perda seria a recapitulação de uma derrota histórica. Para casos como o de Cuba, mesmo que não possua como pano de fundo a época histórica e as proporções em que vieram países como Rússia e China, o princípio dos marxistas é o mesmo: é um dever lutar pela defesa do Estado operário contra toda agressão imperialista. Num contexto de uma crise econômica mundial em curso que percorre os caminhos de uma agoniação e agudização crescentes, tanto mais obrigatória é a defesa de conquistas tão colossais como a economia planificada e a expropriação da burguesia contra a restauração das relações capitalistas, não importa quão débeis e esfaceladas aquelas estejam. Para derrotar a burocracia castrista em Cuba e seu regime reacionário de partido único, essa burocracia tem de ser derrocada sim, mas não pelos centros imperialistas, e sim pelo proletariado revolucionário, através do programa da revolução política. Para conseguirmos novas posições com nossa classe, a classe operária, precisamos saber defender as velhas posições, e defendê-las com os métodos da luta revolucionária.

Esses são apenas alguns temas que precisamos abordar combinadamente a partir de documentos históricos legados por Leon Trotsky, a propósito de questões candentes na primeira metade do século XX como o fascismo, a filosofia materialista, as questões da dialética na prática política, a batalha incansável contra a degeneração da camarilha stalinista e a venda das posições históricas decisivas do proletariado russo e mundial em favor da manutenção de seus privilégios e de uma “coexistência pacífica” com as “democracias” imperialistas, os processos revolucionários na Europa do pós-Primeira Guerra, etc.

O Especial Iskra é parte de um esforço da Liga Estratégia Revolucionária, organização brasileira da Fração Trotskista – Quarta Internacional, para resgatar os fundamentos teórico-programáticos de uma visão marxista revolucionária dos acontecimentos mundiais como um terreno único de um gigantesco palco da luta de classes, baseada na economia mundial, e que sirva como um pilar importante para a reconstrução do partido mundial da revolução, a IV Internacional, impulsionando os trabalhadores a lutarem pelo poder e iniciarem independentemente, por suas próprias forças, a transição ao socialismo.

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