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De Marília: MANIFESTO A 70 ANOS DO ASSASSINATO DE LEON TROTSKY

 

“Os grandes revolucionários foram sempre perseguidos durante a vida; a sua doutrina foi sempre alvo do ódio mais feroz, das mais furiosas campanhas e mentiras e difamação por parte das classes dominantes. Mas, depois da sua morte, tenta-se convertê-los em ídolos inofensivos, canonizá-los por assim dizer, cercar o seu nome de uma auréola de glória, para “consolo” das classes oprimidas e para o seu ludíbrio, enquanto se castra a substância do seu ensinamento revolucionário, embotando-lhe o gume, aviltando-o

 

(LÊNIN – O ESTADO E A REVOLUÇÃO)

 

Homenageamos um dos principais líderes da Revolução Russa de 1917 nos 70 anos de seu assassinato pelas mãos do stalinismo, em meio a uma crise internacional do capitalismo que teve seu início em 2008 nos EUA com a quebra de grandes instituições financeiras e que levaram, em seguida, à desestabilização da produção e do emprego, escancarando as contradições da economia global, que estão, neste momento, longe de serem solucionadas. Abre-se para os novos períodos a perspectiva de confrontos cada vez mais agudos da luta de classes, com a classe trabalhadora e o conjunto dos oprimidos tendo que responder aos ataques dos governos e de suas burguesias, que tentam – descarregando os efeitos da crise sobre as suas costas – a todo custo manter este sistema de miséria e de exploração que é o capitalismo. Resgatar hoje o legado de Leon Trotsky e dos ensinamentos que este sintetizou das principais experiências da classe operária do século XX, é tarefa nodal para respondermos à altura os novos desafios que estão colocados para derrubada da dominação do capital.

 

A ETAPA ATUAL DA CRISE E OS LIMITES POSTOS PARA A ORGANIZAÇÃO INDEPENDENTE DOS TRABALHADORES

 

Após a bancarrota do Lehman Brothers em 2008, assistimos os salvamentos bilionários por parte dos governos, dos grandes banqueiros e capitalistas à custa do endividamento gigantesco dos Estados. Os reflexos desses endividamentos, já se fizeram sentir durante esse ano com os episódios de ajustes econômicos nos países europeus como a Grécia, Espanha, França e as respectivas respostas da classe trabalhadora e da juventude, que saiu às ruas contra os ataques às condições de trabalho e de vida da maioria da população. Estes processos, porém, encontraram na burocracia sindical das grandes centrais – no Brasil e internacionalmente – um entrave objetivo no seu desenvolvimento, com estas se negando a levar a frente uma luta direta contra a ofensiva capitalista, depositando ilusões nos governos do capital, levantando até em certos casos, que os trabalhadores deveriam arcar com uma parte dos efeitos da crise, numa tentativa clara de conciliar os interesses dos trabalhadores com os da classe dos exploradores, os verdadeiros responsáveis pela crise. A confiança que os trabalhadores depositam ainda nas direções conciliadoras está diretamente ligada aos processos de investida do capital a partir da derrota dos movimentos revolucionários da década de 1960-1970 e da restauração capitalista na ex-União Soviética e na China. A desmoralização da classe operária perante estes processos apagou a perspectiva da revolução, apresentando o capitalismo como única forma possível de sociedade. As massas sofreram antes de tudo uma investida concreta em suas conquistas históricas. Este último período, porém, demoliu de maneira acelerada vários mitos criados na investida do capital, como o “fim da história” ou o “desaparecimento da classe dos produtores” e trouxe vários fenômenos avançados de organização dos trabalhadores, com a volta de métodos clássicos da classe operária (piquetes, greves, ocupações de fábrica, etc) em diversos países da Europa e da América Latina, e mais recentemente na China. O ciclo de estabilidade da restauração burguesa encontra seus limites e abre as portas para a álgebra imperialista de “crises, guerras e revoluções” abrindo um período de instabilidade mundial.

 

TROTSKY E O LEGADO DA QUARTA INTERNACIONAL

 

A fundação da Quarta Internacional em 1938 seria alvo de uma crítica constante por parte de setores oportunistas dentro do movimento operário: as internacionais anteriores teriam se formado a partir de grandes acontecimentos da luta dos trabalhadores. Trotsky rebatia, sintetizando as raízes e objetivos programáticos da nova organização: “A Quarta Internacional já surgiu de grandes acontecimentos: as maiores derrotas do proletariado na história”. Os desdobramentos da primeira guerra mundial abriram uma conjuntura revolucionária na Europa, culminando em um ascenso de massas na Alemanha, França, Itália e em especial na Rússia com a conquista do poder pelo proletariado em outubro de 1917. O Estado operário, porém, depois da guerra civil e do isolamento das primeiras derrotas da revolução nos demais países, deparou-se com a burocracia personificada em Stalin, que usurpava o poder dos trabalhadores e atuava objetivamente para a agudização das contradições internas e na derrota da revolução internacional em troca da manutenção dos seus privilégios. Trotsky liderou a luta contra esse processo, sendo expulso da União Soviética e perseguido até a morte posteriormente, no exílio, a mando de Stalin em 1940. A continuidade das traições da década de ’30 a nível internacional e a proximidade cada vez mais concreta de uma nova guerra mundial, tornavam cada vez mais necessário a fundação de uma organização a nível mundial dos trabalhadores, por fora da influência da III internacional degenerada. O prognóstico sobre a União Soviética era taxativo: ou uma nova revolução derrubaria a burocracia, mantendo as conquistas da propriedade nacionalizada e restauraria a democracia operária ou a própria burocracia se veria obrigada a restaurar o capitalismo pelas pressões internas e externas; o que se concretizaria no final da década de 80. As conquistas programáticas da Quarta internacional residiam na continuidade teórico-prática no terreno do marxismo à luz dos novos fenômenos com que se deparava a classe trabalhadora, como o fascismo e o próprio stalinismo como expressão da degeneração do primeiro Estado operário.

 

O CAPITALISMO NÃO CAIRÁ SOZINHO: ELE PRECISA SER DERRUBADO

 

Lênin no início do século passado, ao caracterizar o imperialismo como a véspera da revolução socialista, encontrou na fórmula de “crises, guerras e revoluções” os contornos em que se apresentariam as tendências destrutivas do capitalismo na sua época de decadência. Longe de uma previsão catastrofista, onde toda crise levaria necessariamente à uma guerra ou a um mecanicismo que veria nas revoluções efeitos imediatos de uma crise, tal época exigia dos trabalhadores maior organização do que nunca para derrubar seus adversários. Trotsky levantaria mais tarde que, a própria vitória da revolução espanhola na década de ’30 poderia ter barrado o início da segunda guerra mundial, ao colocar novamente uma conjuntura revolucionária na Europa. A segunda grande guerra imperialista do século XX teria de se transformar, assim como a primeira, em guerra civil. Seu desfecho, porém, trouxe o fortalecimento do stalinismo – que traiu mais uma vez o proletariado na Grécia, Itália e França – e alguns anos de estabilidade relativa do capitalismo, que tinha 1/3 da forças produtivas do mundo para reconstruir. Os efeitos da crise hoje, mesmo não trazendo a perspectiva imediata de uma guerra mundial, trouxeram para a classe operária novas experiências e processos de ruptura com a burocracia sindical. No Brasil em específico, os novos efeitos da crise iluminarão as contradições do último período de estabilidade, que foi baseado, em suma, em um aumento da dependência de nosso país ao capital financeiro internacional. O cenário político somado a este processo abre novos tensionamentos, com a saída de uma figura de peso como Lula, que conta com prestígio gigantesco perante a grande maioria da população e sua capacidade de aglomerar diversas frações da classe dominante no seu discurso.

Só os trabalhadores em aliança com os setores oprimidos da população podem dar uma saída concreta às mazelas do capitalismo e de suas crises. Para isso é necessário ter clareza, apoiado nas experiências históricas, da necessidade de se construir uma direção revolucionária a nível nacional e internacional. Resgatar o legado de Trotsky se torna ainda mais necessário neste momento de crise do capitalismo. Seu pensamento foi alvo das maiores perseguições e falsificações da história. O stalinismo, cumprindo o papel servil da classe dominante, se encarregou de tentar apagar a história da luta da classe trabalhadora e do conjunto dos explorados. Convidamos todas/os a participarem das atividades em homenagem aos 70 anos de assassinato de Trotsky, onde tentaremos trazer a tona o núcleo de seu pensamento revolucionário, contra toda domesticação e principalmente contra toda falsificação.

 

– Debates

– Exposição: “Stálin – o grande organizador de derrotas”

– Exibição de vídeos no intervalo noturno

Liga Estratégia Revolucionária – Quarta Internacional

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  1. 09/17/2010 às 6:01 pm

    Sou leitor assíduo de ISKRA e lamento por estas letrinhas do artigo. Em mim dá uma agonia danada em forçar por lê-las.

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