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Viva a batalha do estudantazo argentino! Pela solidificação da aliança operário-estudantil!

por André Augusto

 

No cumprimento, a 16 de setembro, dos 34 anos desde a “Noite dos Lápis” na Argentina – noite do sequestro, tortura e assassinato de 10 adolescentes secundaristas em 1976 durante a última ditadura militar – mais de 20000 estudantes e docentes se mobilizaram conjuntamente para reafirmar decididamente a disposição de combate que podemos observar entusiasticamente há mais de um mês em nosso vizinho portenho. Uniram-se novamente para continuar exigindo tanto ao governo de Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires, quanto ao governo nacional de Christina Kirchner, uma resposta às reivindicações estudantis acerca da crise educacional profunda por que passam os colégios secundaristas e as universidades argentinas, que sofrem, como a educação pública nos diversos níveis no Brasil, de um espantoso sucateamento em sua infra-estrutura, fruto da dilapidação do dinheiro público com patrocínios grosseiros à iniciativa privada em detrimento do ensino público no ramo educacional, afora o financiamento da nova polícia metropolitana de Buenos Aires, com orçamento total de mais de meio bilhão de pesos.

Enquanto as escolas públicas estão literalmente caindo aos pedaços, com edifícios sem instalações elétricas seguras, sem forros ou instalações higiênicas adequadas; e em universidades como a Universidad de Buenos Aires há docentes trabalhando ad honorem, isto é, sem receber salários, e funcionários mal pagos, os altos burocratas do Ministério da Educação, como Esteban Bullrich, e os decanos da academia entronados em pilhas de privilégios, como Caletti, não desejam dar um só passo em direção à resolução dos problemas mais evidentes no quadro educacional argentino. Caletti, por exemplo, eleito por votos de um pequeno setor de docentes e graduados, de maneira tão completamente anti-democrática como as eleições para o reitorado nas universidades estaduais paulistas, recebe sozinho 20000 pesos mensais que entram, ao que parece, diretamente em sua bocarra, já que à soma de dinheiro público não seguem as respostas às reivindicações orçamentárias. Seguem, sim, as listas negras e as sindicâncias abertas contra os estudantes em luta.

Milhares de estudantes secundaristas, terciários, universitários e docentes confluíram à Plaza de Mayo junto a uma importante delegação de aproximadamente 100 trabalhadores da fábrica Paraná Metal, que há já 15 dias cortam a rodovia próxima a Villa Constitución em defesa dos postos de trabalho de mais de 900 famílias, que vieram apoiar a reivindicação educativa ao grito de “Operários e Estudantes como no Cordobazo”. Estavam presentes também, acompanhando os milhares de estudantes, os trabalhadores de Kraft-Terrabusi que no ano passado se enfrentaram com a patronal do monopólio alimentício norte-americano e a polícia federal numa gigantesca batalha de classe contra as massivas demissões que estavam planejadas, com a conivência da burocracia sindical.

O objetivo do ministro da Educação Esteban Bullrich, anunciado à boca própria, é de discutir com os estudantes em conflito “em cada comunidade escolar”, rechaçando teologicamente, isto é, mandando a todos os seus diabos, a firme concepção dos estudantes de discutir as reivindicações de cada colégio de maneira unificada e coordenada com setores de outros níveis educacionais. Além do que, o ministro retira de suas próprias fabulações a estimativa de que “se se reiniciam as aulas até a segunda-feira (20/09) a compensação para que se cumpram os 180 dias de aula poderá estender-se, no máximo, até 30 de dezembro.” Esses cálculos e cômputos de Bullrich são as evidências mais eloqüentes de que o ministro tem dentro de si mesmo a audiência mais simpática, e a única desagravo que dá a essas reflexões o caráter de diálogo são as reportagens da mídia oficial. Os estudantazo responde com assembléias multitudinárias inter-estudantis, com a participação de trabalhadores de fábricas e de docentes.

O ministro também assegurou que “não haverá sindicâncias ou sanções contra os estudantes caso estes finalizem as ocupações.” O caso é que enquanto Bullrich mantinha reuniões com diretivos de “sessenta escolas ocupadas ou com potencial de serem ocupadas”, o chefe do governo, Macri, apenas chegara de um giro pela Europa, ordenou a abertura imediata de sindicâncias para os participantes das ocupações. Nada mais natural de um sujeito que ordenou mandatos de prisão para estudantes que cortaram as ruas em solidariedade ao conflito dos trabalhadores em Kraft-Terrabusi. Logo tendo de encapar novamente as claras intenções do grande estratego Macri, Bullrich reafirmou que as sindicâncias são substantivos abstratos e que não as haverá, “ainda que os conselhos de convivências em cada escola analisarão alguns casos de vandalismo, se é que se pode identificar os autores”.

Não esqueceu de distribuir também listas detalhadas com as obras prometidas aos estudantes, depois das reivindicações, em 32 escolas, com as datas de início e término das reformas. A maioria destas propostas não tem prazo de início ou de término, apenas que começarão este ano.

Estas são os planejamentos criticamente indubitáveis da chefatura portenha para as reivindicações estudantis. Só podemos advertir o ministro de que: “Seja inteiramente tolerante ou seja inflexível; siga o bom caminho ou o caminho maligno. Ficar de pé em rotas que se cruzam requer muito mais força do que você possui.

Os milhares que marcham às ruas demonstram que esta luta em curso na Argentina não se trata unicamente de reformas na estrutura física dos estabelecimentos de ensino ou de maiores propostas orçamentárias, mas do questionamento profundo das causas fundamentais desta crise educacional aberta pelo oficialismo kirchnerista e pela oposição patronal a nível municipal. Nenhuma das assembléias locais ou inter-estudantis deixam passar os verdadeiros responsáveis pelas políticas de desfinanciamento da educação pública.

Contra as políticas educacionais que operam a manutenção dos privilégios dos setores privados do ensino público, além das políticas trabalhistas de Macri e do governo nacional, começa a despontar na Argentina uma importante síntese social de massas, com fenômenos de organização entre estudantes e trabalhadores, digna de toda a atenção que daqui pudermos dedicar. Se a enorme força e tradição dos movimentos operário e estudantil se colocam de pé, como se viu na noite do dia 16 de setembro, pode-se conquistar uma força invencível frente a uma minoria que defende apenas seus interesses e os interesses empresariais. A nível internacional, somos os estudantes e trabalhadores que podemos entabular uma resposta à altura dos grandes problemas concernentes ao trabalho, à saúde e à educação. Em cada uma destas lutas, mais enfaticamente na batalha em curso na Argentina em defesa da educação pública, a aliança operário-estudantil começa a se gestar, na perspectiva de colocar de pé outro projeto político, com a educação pública de todos os níveis, financiada às custas da classe trabalhadora e do povo pobre, gratuita e de qualidade para todos.

 

Todo o apoio à luta estudantil argentina em defesa da educação pública! Estudantes e trabalhadores são os que realmente a defendem, não a burocracia acadêmica e os governos patronais!

 

Repúdio à perseguição de estudantes participantes das ocupações pela atitude arbitrária da polícia federal!

Nenhuma sindicância ao estudantado!

 

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