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Mais um murro necessário no repugnante Narloch. Não passará!

  por André Augusto

 

“Despreza a ciência e a razão

As duas bases mais sólidas sobre as quais repousa o homem,

E te terei inteiramente à minha mercê”

 

 

Assim advertia Mefistófeles ao desesperado Fausto, que tencionava deixar de ter o domínio sobre si mesmo e sobre as conseqüências objetivas de suas atitudes pela loucura de ver seus caprichos extravagantes imediatamente realizados, de qualquer maneira, utilizando quaisquer meios. Não superestimamos a poeira humana que é o Sr. Leandro Narloch nem seu último atestado de indigência mental comparando-o com o entendimento do personagem fáustico, já que dizer algo a aquele atoleiro seria como pregar a uma pedra; o irracionalismo do gênio e aquele do estúpido se distinguem apenas pelo fato de que o irracionalismo deste último é o alto-mar para o qual nenhuma bússola foi ainda inventada. Não há discussão com este tipo.

É sintomático que um texto como esse, que começa citando a atrocidade dos comentários xenofóbicos e racistas contra os nordestinos e, sem mais, passa imediatamente para o ataque daqueles que se organizaram contra esse racismo, apareça no jornal de maior circulação no Brasil, a Folha de S. Paulo; o mesmo pasquim que após 1931 girou-se ao apoio irrestrito aos barões agrários e que, posteriormente, apoiou o golpe militar de 1964 e a ditadura militar que se instalou no Brasil até o governo do general Ernesto Geisel, cujo editorial de 22 de setembro de 1971 – época da escalada repressiva mais bestial contra a classe operária e o povo brasileiro – trazia as doces definições sobre o regime militar: “Um governo sério, responsável, respeitável e com indiscutível apoio popular, está levando o Brasil pelos seguros caminhos do desenvolvimento com justiça social – realidade que nenhum brasileiro lúcido pode negar, e que o mundo todo reconhece e proclama.” Segundo Elio Gaspari, que não pode ser “injustiçado” por ter uma visão ao horizonte esquerdo, nessa época carros da empresa eram emprestados ao DOI (Destacamento de Operações de Inteligência), destinado a “combater os inimigos internos que ameaçavam a segurança nacional”, que os usava como cobertura para transportar presos na busca de “pontos”.

E um jornal que já teve em sua redação nomes como Bóris Casoy, famigerado torturador durante a ditadura, não pode deixar de ter protoformas fascistas como Leandro Narloch que, como escreve bem o companheiro Iuri, que me precedeu no Iskra contra esse sujeito, entrincheira-se na Folha de S. Paulo, com o aval de toda a mídia oficial, para sedimentar poderosamente um expurgo da extrema reação contra as massas como se fosse uma posição política “corriqueira” e “tradicional”. E mesmo com a liberdade que a burguesia lhe concede para escrever algo tão repugnante como “Não se pode dizer o mesmo de outro tipo de preconceito – aquele relacionado não à origem ou aos traços físicos dos cidadãos, mas ao modo como as pessoas pensam e votam”, Narloch tenta desfigurar e deformar, por pressões ainda “democráticas”, seu ódio de classe aberto contra os que se defendem de tal bestialidade como o racismo aos trabalhadores e ao povo do nordeste brasileiro.

O quid da questão aqui é que toda a esquerda autenticamente revolucionária e combativa saiba frisar bem a predisposição dos nossos inimigos de classe em relativizar a intolerância inflexível a qualquer tipo de preconceito, abrindo caminho para uma distinção absolutamente falsa e perigosa para a classe operária entre preconceitos “admissíveis” e preconceitos “inaceitáveis” (estes últimos que, naturalmente, podem ganhar foros de ‘admissíveis’ assim que a burguesia, que detém as forças produtivas da informação, assim considerar conveniente).

 

“Para gente assim, a vergonha é uma característica redentora; o orgulho é patético”, Narloch.

 

Como um grande poeta, a natureza sabe como produzir os maiores efeitos com os recursos mais limitados. Esse impublicável jornalista é um exemplo. Toda a incoerência interna, todas as incontroláveis contradições de “argumentos” desse tipo, têm de ser analisados a partir da situação social mundial, no terreno firme dos fatos. Com a progressiva depredação das bases mundiais da economia capitalista, em que as condições dos centros nacionais no seio da economia mundial (como os EUA, avassalado pelo déficit orçamentário, taxa de desemprego em cavalares 17%, pela oposição ferrenha dos demais centros à desvalorização do dólar e o questionamento do dólar como moeda de reserva mundial, crescimento da extrema direita na figura grotesca combinada do Tea Party,pelo qual Obama será obrigado a buscar muito mais vias de consenso com os republicanos; a França, com os ataques aos direitos trabalhistas com a reforma das aposentadorias, ímpeto parcial e poderoso de alguns setores de sua classe operária contra o governo de Sarkozy, revanchismo xenofóbico desse governo acerca de húngaros e romenos; cortes orçamentários e demissões massivas na Grã-Bretanha, com ascensos estudantis na Inglaterra e na Irlanda; ataques aos direitos salariais e previdenciários do funcionalismo público na península Ibérica; o clima social reformista e de gradualismo nos anseios de melhorias de vida da população brasileira expresso nas eleições, eleições que significaram uma consolidação do lulismo em meio a uma polarização mais à direita do que no primeiro turno com as intermináveis declarações contra os direitos das mulheres e dos homossexuais feitas tanto por Serra quanto por Dilma; e apoio inestimável das burocracias sindicais em todos estes processos, motivo pelo qual os governos oficiais dedicam tanta atenção a elas), enfim, esses ventos regressivos na economia mundial provocados pela rede de contenção de todos os meios sociais de produção nas mãos de uma classe específica, trazem consigo as tendências reacionárias gerais típicas do período de crise econômica na época imperialista.

Poeiras como Narloch, que para nada é “patético” e que está muito bem guarnecido contra as “contradições básicas do raciocínio”, é uma contradição ridícula do raciocínio popular lutar pelo “corte de impostos e o aumento dos gastos do Estado”; o que esse ventre de mendicância quer que convenhamos é que não são absolutamente contraditório os pacotes de ajustes dos governos europeus, em que um dos eixos principais é justamente o contrário, ou seja, o corte nos gastos públicos e o congelamento dos salários e o aumento abusivo dos impostos. Afinal, para Narloch, “se há alguma receita testada e aprovada contra a pobreza, uma feliz receita que salvou milhões de pessoas da miséria nas últimas décadas, é aquela que considera a melhor ajuda aos pobres a atitude de facilitar a vida dos criadores de riqueza“.

Há como acompanhar o trem de “raciocínio” desse “escritor”? A melhor receita contra a pobreza, contra a classe trabalhadora pauperizada, ou seja, à expressão social concreta que deriva do crime da apropriação privada dos meios de atividade e de subsistência da imensa maioria da população por uma minoria irrisória dela – seria facilitar a vida da própria classe trabalhadora, já que é a única classe responsável por toda a massa produzida de riquezas sociais? Para Narloch, não! Pois os “criadores de riqueza” são os gerentes da General Motors, os empresários industriais da Thyssen-Krupp, os acionistas e agiotas da Bolsa de Valores, os escravistas empresários bilionários da mineradora Vale, é o grande organizador de catástrofes ambientais Eike Batista, são os grandes conglomerados brasileiros que puderam surfar na valorização das commodities, receber generosos empréstimos do BNDES e associar-se ao grande capital imperialista na Bovespa. Esses são os generosos “criadores de riqueza” para o ex-jornalista do depósito do entulho nacional da Veja!

 Somente de um modo periférico e incidental pode-se encontrar qualquer raio de clareza nos seus “argumentos”, e nisso, apenas por ser um precipitado irracionalista na filosofia burguesa do período imperialista, seguindo as bestialidades impublicáveis do “Rodeio das Gordas” durante o InterUnesp, os ataques homofóbicos na USP e ainda o racismo acerca do povo nordestino, todas as vilezas as quais inspiraram “coragem” a sua agressiva imbecilidade histórica.

Os ideólogos burgueses, e os demais porta-vozes da extrema reação nos períodos de desequilíbrio do sistema econômico mundial e de crise no próprio regime de dominação de classe (tempo histórico que ainda não é o nosso), mostram-se já incapazes de toda crítica e francamente contrários a estudar seriamente o adversário, uma vez que escondem ao máximo os antagonismos de classe, a classe operária, com apelidos como “classes médias” ou “classes emergentes”, com logros do tipo da “unidade nacional” entre “cidadãos” comuns, desprovidos de qualquer diferenciação. É um fato bem estabelecido que todos os seres se diversificam mesmo em categorias comuns, são diferentes; mas a burguesia se aproveita para defender a “igualdade cidadã” dos homens quando estes se apoderam da percepção classista e da saída coletiva para seus problemas comuns, e defende a “diferença” quando os quer lançar no lamaçal do individualimo.

Como tendência continuada das primeiras experiências mais abusivas da reação burguesa em todo o século passado, também nesse início de século percebemos que os teóricos orgânicos da burguesia são sistematicamente mais incapazes de consolidar suas críticas no terreno firme da história em comparação com seu predecessor; e se no século XX falávamos dos filósofos irracionalistas e apologistas da época imperialista, agora temos de ouvir os jornalistas do racismo. Enfim, em cada vez mais baixo nível se encontram a vontade e a capacidade de lutar com as armas limpas do pensamento contra o inimigo real e certeiramente reconhecido (o inimigo mortal e coveiro da burguesia é a classe operária!).

Por último, queremos deixar marcado como a demagogia e a tirania burguesas são a culminação de um longo processo, ao princípio sempre considerado como “inofensivo” (como um processo puramente filosófico ou ideológico); “inofensivo” como os editores vendidos da Folha de S. Paulo consideram o artigo de Narloch, mas que compõe uma reação em cadeia dentro do processo de destruição da razão. Pensando assim, será impercorrível a distância entre as alegações de H. St. Chamberlain, o expoente da teoria racista no período pré-Segunda Guerra, e o vomitório de Narloch acerca das “raízes” de um povo, apoiando o racismo de alguns setores paulistas de extrema direita, e ratificando as posições reacionárias do Vaticano e das igrejas evangélicas e presbiterianas que sancionam o assassinato de milhares de mulheres com a condenação ao direito ao aborto?

 

“A teoria da humanidade estorva toda visão certeira da história. Há que arrancá-la cuidadosamente como se arranca a erva daninha… para poder proclamar com certa esperança de ser escutado esta evidente verdade: nossa civilização e cultura atuais são especificamente germânicas, são exclusivamente obra do germanismo. Quem pertença a uma raça marcadamente pura, o sentirá cotidianamente”. Chamberlain.

 

“Por fim, eu nutro um declarado e saboroso preconceito contra quem insiste em pregar o orgulho de sua origem. Uma das atitudes mais nobres que alguém pode tomar é negar suas próprias raízes e reavaliá-las com equilíbrio, percebendo o que há nelas de louvável e perverso”. O verme Narloch.

 

Os marxistas revolucionários temos de ficar em constante alerta e golpear infalivelmente qualquer ensaio de seres desprezíveis como Leandro Narloch operem para levantar a cabeça de maneira confiante para dizer tais barbaridades, e se sintam intimidados e aterrorizados de publicizar posições como a que há pouco foi veiculada pela lacaia Folha de S. Paulo, e que a classe operária batalhe num esforço unificado pela construção de veículos de imprensa independentes da patronal e do governo capitalista, para que não permita que os amplos setores oprimidos e explorados da população fiquem à mercê das descargas ideológicas de uma burguesia e pequena-burguesia em entrante desespero.

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