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Surto de cólera no Haiti: revolta popular é brutalmente reprimida pela Minustah

por Simone Ishibashi

 

 

O Haiti encontra-se imerso em uma nova onda de crise por conta do surto de cólera. Uma revolta popular se abriu como resposta aos mais de mil mortos pela cólera, e mais de quinze mil infectados em apenas um mês por conta da atual epidemia que atingiu metade das 10 províncias do país. A cólera é uma doença que estava ausente do país há cerca de cem anos. A própria ONU estima que deve haver cerca de 200 mil pessoas infectadas pela doença em todo o país, que ainda desconhecem estar doentes. Não há água potável o suficiente para a população, e nem assistência médica, o que eleva a taxa de mortalidade. Toda esta situação desatou a onda de protestos atual.

As manifestações populares se abriram após o vazamento de uma informação divulgada por laboratórios norte-americanos de que a origem do vírus seria similar à encontrada no Nepal, país de onde provém parte do contingente que compõem as forças de ocupação da ONU, a Minustah, chefiada pelas tropas brasileiras, e composta ainda por tropas de países como a Argentina, Bolívia, Canadá, Chile, Equador, Espanha, França, Guatemala, Jordânia, Marrocos, Nepal, Paraguai, Peru, Filipinas, Sri Lanka e Uruguai.  Além disso, desde o terremoto que assolou o país no começo do ano, destruindo sua infra-estrutura e criando as condições insalubres para a disseminação da epidemia, seguem presentes milhares de efetivos militares norte-americanos. A revolta haitiana contra a ocupação pode estar prestes a atingir um ponto culminante, com a população tendo se levantado para exigir a retirada imediata da Minustah do país.

As forças da Minustah e do imperialismo norte-americano estão mostrando cada vez mais seu caráter criminoso. A justa revolta do povo haitiano atende a uma situação insuportável. Há tempos os haitianos estão sendo castigados com a fome, a miséria, a doença e a total ausência de assistência médica e social em que o país está mergulhado, além da violência e a opressão desferida pelas tropas da Minustah que estão ocupando o país desde 2005. Esta revolta popular se transformou em enfrentamentos contra as tropas da ONU em diversas regiões do país, como em Cap-Haitien, Quartier Morin (ambas a cerca de 300 km de Porto Príncipe), Hinche (130 km da capital) e diversas vilas e cidades do norte. As tropas de ocupação não tiveram dúvidas: abriram fogo contra a população que se manifestava, e há pelo menos duas pessoas mortas, e dezenas de feridos. “Primeiro eles atiraram para dispersar a manifestação, mas em seguida, atiraram para matar”, declarou a testemunha Bimps Noël ao jornal El País.

Cinicamente, a ONU, numa tentativa de mascarar que a revolta da população haitiana é motivada pela situação de miséria e opressão que as tropas da Minustah só fazem aumentar, tem divulgado que a revolta popular não passaria de uma manipulação promovida por grupos contrários à realização das eleições presidenciais, previstas para acontecer em 28 de novembro. O próximo presidente do Haiti cumpriria com o papel de abrir o balcão de negócios que seria a “reconstrução do Haiti”, do qual a construtora brasileira Odebrecht já está demonstrando interesse. Seguramente esta “reconstrução” se daria em base ao lucro dos grandes monopólios e não para atender às necessidades mais sentidas do povo haitiano. Ainda que possa haver setores que sejam contrários às eleições, o fato é que as recentes manifestações são motivados e expressam um repúdio massivo e generalizado contra a ocupação criminosa da ONU e da Minustah. O imperialismo norte-americano, a ONU e os governos dos países que compõem a Minustah demonstram seu caráter profundamente reacionário. Ao contrário de enviar médicos para atender à população, ou prover assistência médica decente, aumentaram o contingente militar que ocupa o país, demonstrando que sua política visa reprimir e assassinar a população haitiana. Enquanto o povo do Haiti sucumbe, Lula estava reunido no G20 elogiando a “maturidade” dos governos imperialistas para tratar a crise capitalista internacional, em mais uma mostra de sua subserviência em relação ao imperialismo. Enquanto, Obama, o primeiro presidente negro da história dos EUA gasta US$ 600 bilhões de dólares em um pacote que visa garantir a competitividade dos produtos norte-americanos internacionalmente, o povo negro do Haiti, primeira nação independente da América Latina, está imersa em sofrimentos inauditos.

Isso demonstra que os únicos aliados do povo haitiano são os trabalhadores e a juventude latino-americana. É necessário redobrar a campanha que levante as bandeiras de:

Não à repressão ao povo haitiano! Punição as assassinos!

Pela retirada imediata das tropas de ocupação do imperialismo norte-americano e da Minustah!

Por comissões independentes formadas pelos sindicatos e organizações populares para investigar as causas da tragédia e castigo aos responsáveis!

Que os lucros dos grandes monopólios e toda ajuda humanitária sejam utilizadas para o atendimento médico e social da população!

Que os recursos sejam controlados pelas organizações populares e dos trabalhadores! 

 

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