Início > Sem categoria > O ufanismo de Haddad tenta camuflar a penúria da educação brasileira e sua permanência como Ministro

O ufanismo de Haddad tenta camuflar a penúria da educação brasileira e sua permanência como Ministro

por Luís  Santos, professor da Rede Pública do Estado de São Paulo

 

 

O nosso caro Ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), menos conhecido pelas políticas para a educação no país do que pelos escândalos consecutivos que foram os últimos dois anos de exame do novo ENEM, sentiu-se, ao que parece, no dever de justificar sua permanência no cargo de Ministro da Educação para o governo da presidente eleita Dilma Roussef, e publicou hoje o seu otimismo ufanista frente ao que ele chama de “olhar externo”.

Utiliza-se do argumento de que o Brasil é o país que mais cresceu no sistema de ensino entre os países emergentes segundo o supremo órgão que dita à forma como se organiza a educação no mundo, o Banco Mundial. Para Haddad é de uma relevância incomensurável a passagem do relatório do Banco Mundial que afirma:

“Uma criança brasileira de seis anos de idade nascida hoje no quintil mais baixo da distribuição de renda completará mais que o dobro de anos de escolaridade que seus pais. O nível médio de escolaridade da força de trabalho desde 1995 melhorou mais rápido do que o de qualquer outro país em desenvolvimento, mais do que a China que tinha estabelecido recordes globais de aumento da escolaridade nas décadas prévias.”

Assim também como comemora a declaração da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) a alta na média brasileira no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), e que superamos países como Argentina e Colômbia, e que diminuímos pela METADE nossa diferença para o México.

Haddad poderia ser professor de circo, pois em matéria de malabarismo (com dados) ele é fantástico. Porém a única coisa que mostra toda a sua argumentação, que tenta se apegar a dados com informações completamente dúbias para embasar sua tese ufanista de que sob a égide dos governos PTistas vamos solucionar o problema da educação brasileira1, é que a educação brasileira, assim como ocorre no conjunto das semi-colônias, tem todo o seu planejamento educacional voltado para atingir as metas e as determinações de órgãos como o BM.

Pois se é verdade que o tempo escolar médio no Brasil aumentou, o que se esquece de dizer, é que a qualidade do ensino caiu a níveis catastróficos, onde a média geral de assimilação do conteúdo de uma criança na 8ªsérie é a de um aluno da 4ª, ou seja: aumentou o tempo escolar, mas o aluno sai da escola hoje sabendo a mesma coisa, ou menos, daquilo que seus pais sabiam ao saírem da escola. E o resultado cavalar que comemora Haddad na educação brasileira no Pisa se baseia, entre outros fatores, na média 4,6 obtida pelo Brasil nas avaliações externas organizadas pelo governo.

A verdade é que a educação brasileira, seja na disjuntiva Ptista ou Psdbista, está indo ao abismo, e toda a nova fraseologia do Estado de “competências”, “habilidades”, “aprendizagem” (da qual discorreremos em um próximo artigo), junto às avaliações vinculadas a bônus, cumpre o papel de lavar as mãos do Estado e colocar sobre o professor a responsabilidade da miséria que se encontra a educação no nosso país.

À Haddad, ministro co-responsável pelo Reuni, Pro-uni, UAB, Provinha Brasil e o novo filtro de classes para as universidades, então mal-denominado “fim do vestibular”, o ENEM, políticas que atacaram profundamente o ensino público, mas que vieram juntas a pequenas concessões vendidas como imensos avanços frente toda a defasagem e miséria da educação em nosso país.

O que queres é esconder a única forma de melhorar a educação no país, não pagando as dividas externa e interna (essa dívida pública, que com seus juros exorbitantes se transformou no mecanismo de transmissão de divisas públicas para mãos privadas por excelência), mas revertendo esse dinheiro para as necessidades reais da população, como a educação, pagando um salário digno aos professores e que estes tenham tempo para se dedicar a estudar e aprimorar seus estudos, voltando à escola e à universidade para o que elas de fato precisam fazer: a transmissão do conhecimento acumulado historicamente pela sociedade, e não um ensino direcionado aos interesses do mercado e diretamente aos órgãos, como o Banco Mundial; estatizando as universidades particulares para que todos tenham acesso a educação superior pública e de qualidade, pagando o salário calculado pelo DIEESE (R$2.150,00) a todos os trabalhadores para que os pais tenham completa condição de manter a família sem trabalho de seu filho, entre inúmeras outras coisas que vão na contramão dos planos e interesses do governo Ptista e de nosso querido malabarista (ou seria palhaço) Ministro da Educação.

 

1 “Queremos tirar o atraso de um século não em duas, mas em uma década.” Fernando Haddad, Tendências e Debates da FOLHA de São Paulo.

Anúncios
Categorias:Sem categoria
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: