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Todas as Rodas se detêm se assim o quer teu braço vigoroso

por Rodrigo Beny

 

Talvez esse tenha sido o ultimo fim de ano que muitos trabalhadores da USP tiveram a certeza de que no mês seguinte sua situação poderia melhorar, de que sua vida não se desestabilizaria; isso porque o presente dado pela REI-toria foi uma caixinha com uma bomba dentro – uma espécie de surpresa de mau gosto. Enquanto muitos se dedicam a construir a USP, a doar sua vida e suas forças no trabalho, o Sr. Capataz, o Joel Dutra, passou seu Natal quebrando a cabeça com uma “questão muito difícil”, que eram as demissões em massa.

No dia 5 de janeiro o Sr. Joel Dutra, diretor de RH da USP, deu uma entrevista para a radio Bandeirantes, em que nem o próprio entrevistador não engolia as palavras desse fiel comparsa de Rodas e do governo do Estado de São Paulo. Mostrando para toda a sociedade os seus objetivos de produtividade e corte “dos indolentes” na USP – mais uma vez difamando estupidamente os trabalhadores da USP – Joel confessa saber da crise que desencadearia e que essas demissões não passarão com a mobilização dos funcionários!

A REI-toria, com seu escalão maquiavélico, não descansou e preparou todo o discurso furado e criminoso que deveria se seguir às demissões. O capataz com seu bom espirito natalino deseja a todos aqueles que requisitaram suas aposentadorias no INSS que tenham um bom período de reflexão e investimento; isso porque o trabalhador da USP incomoda: o salário que ele recebe é muito superior ao preço de mercado, como se o salário que se paga tanto dentro como fora da USP fosse realmente o suficiente para ter uma vida digna. Incomoda porque “pessoas sem condições físicas” acabavam dependendo da universidade, “não podendo continuar na ativa”, esses trabalhadores, que apresentam os mais graves e variados tipos de problemas de saúde e psicológicos são taxados de “indolentes” pelo Sr. Joel Capataz.

Certamente um novo momento se abre para essas pessoas que foram demitidas, mas é um momento difícil, nem tanto como a decisão tomada por Joel – pois isso sim foi de tirar o sono! – de desespero e possivelmente de fome, junto de seus filhos, netos e companheiros. A ironia não tem tamanho, fazendo-se passar por “pai” que pensa num futuro melhor para seus filhos e sua casa, ele não hesitou em mandar 270 deles embora, tudo isso, pensando nos outros que ficaram e no bom funcionamento da casa.

A atitude de Joel e do REI-FEI-tor foi “difícil e solitária”, e mesmo sabendo que os trabalhadores iriam se organizar para defender seus empregos, e mesmo sabendo que a medida afetaria centenas de famílias que dependem dessas pessoas demitidas, a dupla fez o mesmo que se manifesta em tantas outras partes do mundo. Os cortes no setor público já começaram, cada um com sua cara, mas que no fundo expressam a mesma coisa. Na Grécia, há mais de 5 anos assistimos como os seus trabalhadores sofrem com as medidas de demissão no setor público, de congelamento de salários, de precarização do trabalho; na França, ano passado, assistimos grandes levantes de uma ampla massa de pessoas: especialmente dos aposentados (vejam, os aposentados que Rodas tanto odeia!), dos estudantes, trabalhadores metalúrgicos, entre muitos outros, que não acataram o chicote das medidas de Sarkozy. No Brasil, os professores das escolas públicas do Estado de São Paulo são os mais precarizados, os mais rebaixados e ainda, como se isso não bastasse, são recebidos a base da porrada pela polícia que era braço forte do ex-capitão-mor, o Sr. Serra – não nos enganemos, a mesma política de Serra será seguida pelo novo proprietário, o Alckmin.

Sabem o que Joel e Rodas estão fazendo? “O que estamos fazendo é fechar a porteira”. Foi isso que ele disse na sua entrevista na radio Bandeirantes! O Administrador Rodas e o Capataz tratam os trabalhadores como animais, como rebanho que está a disposição deles a qualquer hora. Esses animais “indolentes”, muitas vezes incapazes, serão repostos por outros imediatamente, promete Joel. “Todos tem uma resistência natural a aposentadoria”. Traduzindo para a linguagem do feitor e do capataz: “os trabalhadores não querem ir pro matadouro”. Mas, se não vão por bem, vão por mal.

A REI-Fei-toria se defende, pois a medida foi “isonômica”, ou seja, não interessa o tipo de trabalhador, todo aquele que atender aos requisitos que Rodas e Joel não gostam, serão mandados embora. Além disso, há um sério problema na USP, o “problema de gestão do conhecimento”. Mas como pode 270 pessoas serem demitidas e haver ao mesmo tempo a contratação de 270 pessoas com o mesmo saber e a mesma experiencia. O problema de gestão do conhecimento que fala Joel, é apenas um nome ridículo para esconder o verdadeiro fundo das demissões. Essa desculpa, Joel, não colou! As demissões abrem o espaço para que as Fundações e as empresas de terceirização dos amigos dessa gente entrem na USP com toda força que vem entrando. As demissões são a via mais escancarada para a terceirização até dos postos de trabalho que não são os mais descriminados.

Então, será que com essa nova solução a fazenda do Rodas fica mais bonita? Será que com os uniformes verdes, ou laranjas, a coisa melhora? E vejamos, são uniformes que arduamente pessoas (que a Reitoria evita considerar como pessoas) suportam com o nome de terceirizados. E na fazenda, chamada então por alguns como USP, esses uniformes parecem flores e simbolizam um lindo jardim frutífero, em que os capins e os bichos feios velhos e doentes são escondidos ou jogados para fora.

A dupla acredita que a medida foi mais fácil hoje do que se fosse feita daqui a dois anos. Com isso, os trabalhadores poderão decidir quando querem perecer de vez. A vontade deles é que os trabalhadores planejem sob sua tutela o fim da carreira, o melhor momento para abandonar seu trabalho, como se piorar a situação de vida tivesse a “melhor hora” para acontecer. Ora, são apenas 270 demitidos, dentro de 16 mil – algo considerado muito pequeno por Joel, mas que já serve de exemplo para aqueles que ousarem não seguir a linha que a Rei-Fei-toria ditar.

Joel garante: “não haverá outras demissões”! Mas também garante outra coisa: “Todos serão despedidos assim que pedirem aposentadoria no INSS”!

Entendemos isso como a seguinte alternativa: ou os trabalhadores se rendem por completo à USP, ou deixam a casa. Novas flores precisam nascer no jardim de Rodas, a USP ficará mais adequada aos modelos internacionais de empresas. Os ambiciosos e ociosos trabalhadores da USP não podem de maneira alguma querer uma condição de vida um pouco melhor! Isso é mérito apenas para aqueles que vivem isolados e tomam atitudes isoladas como essa das demissões. Se os trabalhadores tem família, que passem seu tempo com elas, eis a postura da Reitoria. Mas isso é totalmente compreensível, diante do fato de que o Fazendeiro Rodas não possui nada além de seu piano e de seus bons amigos da Polícia para viver.

Condecorado como um grande empreendedor, um sábio cientista, e por ai vai, Rodas demonstra o quão suja é sua politica sobre os trabalhadores, principalmente com os mais velhos de casa. Serão refeitas as carreiras e haverão variações verticais e horizontais. Todos os demitidos serão repostos. O discurso desses senhores já não ilude mais os trabalhadores da USP.

Não há como se calar mais uma vez diante de tamanha arbitrariedade, que só remete põe a condição de vida dessas pessoas às mesmas que assistimos na TV em vários cantos do mundo e do Brasil. A aposentadoria é uma miséria no Brasil, por isso muitas pessoas ainda dão o ultimo folego de si e continuam a trabalhar; ao contrário do que declara a reitoria, de que essas pessoas não saberiam o que fazer com suas vidas.

O consolo que a reitoria quer dar não faz estancar a ferida. A fala de que com o desemprego os trabalhadores tem mais liberdade, não é um discurso que se encaixa com a realidade vivida pelas mesmas pessoas que demitem! Quando eles aposentam, após anos verdadeiramente sugando nas gordas tetas dos impostos desses trabalhadores, o destino são as praias brasileiras, as lojas europeias, o luxo. Enquanto que esses trabalhadores são jogados no lixo. 262 demissões não é um número, já é a expressão da capacidade de combater os trabalhadores que essa reitoria vem ganhando nos últimos tempos. É expressão de que as esperanças de que Rodas fosse o Reitor-do-diálogo não passaram de meras ilusões. Não é possível viver como salário baixíssimo que a USP paga, e que fora dela é ainda pior; a aposentadoria não cobre nem os remédios que essas pessoas precisam após anos de esforço continuo no trabalho.

Os trabalhadores perdem muito com esse ataque feroz da reitoria. A única coisa que ganham é a experiencia de terem que abrir atentamente os olhos e se preparar para não somente se defender, mas combater unidos as ofensivas que na USP adquirem um caráter “paternal”, “natalino”, de “bem para o futuro”.

Os trabalhadores devem começar a se preparar para combater no mesmo nível, assimilando as práticas que Rodas e seus outros capatazes além de Joel, vem tomando (inúmeras promessas não cumpridas, mentiras atrás de mentiras, repressão, corte de salários, e agora demissões em massa).

Joel já demonstrou para que está vivo ainda. É preciso que a destituição dele seja imediata. Que os trabalhadores decidam pelo seu futuro! Quem merece demissão são esses usurpadores que tem suas aposentadorias milionárias e ainda prestam o desserviço de reinar na USP!

Esses burocratas acadêmicos só podem sustentar pomposamente o prestígio de serem donos da melhor universidade da América Latina porque dispõem de ótimos trabalhadores e também os mais explorados. De onde vem o esforço para manter esse prestígio? Da cabeça nefasta da dupla Senhor e Capataz, que passa o fim de ano planejando como podem desestabilizar a classe dos trabalhadores, ou desses indolentes, que quando se unem derrubam num só golpe a “casa grande”?

Já dizia uma canção de operários alemães (como se já soubessem da situação da USP): “Todas as rodas se detêm se assim o quer teu braço vigoroso“.

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