Início > Sem categoria > Crise estratégica e pseudo-soluções eleitorais

Crise estratégica e pseudo-soluções eleitorais

por Dani Cobet (do Courant Communiste Révolutionnaire Plataforme 4, do NPA francês, ver em www.ccr4.org

tradução: Flávia Adamski

 

A reunião do Conselho Político Nacional do NPA ocorreu em plena crise aberta pela decisão de Olivier Besancenot de não se lançar como candidato nas eleições presidenciais de 2012. Esta crise, longe de se reduzir ao problema da presença ou não do NPA nas próximas eleições, é um prolongamento e um agravamento da crise estratégica que emergiu no Congresso. Trata-se de saber para onde caminha o NPA em um momento onde o projeto de um partido amplo sem delimitação estratégica clara e que está se construindo num espaço vazio aberto à esquerda do PS (Partido Socialista), mostra todos os seus limites. Tudo isto tem sido evidentemente agravado pela aposentadoria de Olivier Besancenot, cuja popularidade constituía o pilar central desse projeto.

No entanto, nesse quadro desta crise profunda em que coloca em debate, recoloca em questão o próprio projeto do NPA, a reunião do CPN foi inteiramente consagrada à dita questão “do procedimento presidencial”. Uma possível virada brusca da maioria foi anunciada após a adesão de uma parte da Posição 1 à defesa de uma candidatura independente do NPA.

Dentro desse cenário, a política da Posição 2 está reduzida a uma defesa pura e simples do NPA como é hoje, contra a “refundação” do NPA sob as bases de uma política permanente com os reformistas da Frente de Esquerda proposta pela direita do partido e contra a proposta de uma candidatura independente do NPA como forma combatê-la.

Uma nova maioria…para 2012

É sob as bases muito mínimas que a Posição 2 conta constituir com uma parte da Posição 1 uma nova maioria no partido. É por esse motivo então, que vários membros da P1 tinham proposto votar uma resolução simples que expresse: “fim às discussões com a Frente de Esquerda, o NPA terá sua própria candidatura, cujos termos/prazosserão decididos numa Conferência Nacional em junho” e impor dessa forma uma derrota à política da direita do partido, os camaradas da P2 tem insistido aos gritos por uma reunião da “comissão de elaboração do texto sobre o procedimento presidencial P2/P1” para que haja um acordo programático, mesmo que limitado, o qual significaria no fundo, uma adaptação aos setores vindos da Posição 1.

Os dirigentes das duas posições estão finalmente de acordo num texto de 4 parágrafos no qual existe conteúdo o bastante para que este não seja somente moção para impor uma derrota à Grond e Cia. e ao mesmo tempo, suficientemente pouco para que um bloco também heterogêneopossa estar de acordo. Há ainda nesse texto problemas políticos graves como uma caracterização implícita do PCF e do Partido de Esquerda como anticapitalistas e a definição de uma candidatura “anticapitalista e ecológica”. Com 54% dos votos contra 42% esta moção acabou por “arrebatarr”o voto no seio do CPN e será submetida tal qual à Conferência Nacional prevista para o mês de junho para resolver definitivamente a questão.

As correntes de esquerda da Posição 2, apesar do descontentamento nos bastidores, estão subordinados à disciplina dos dirigentes dessa posição.

Ao mesmo tempo que os camaradas da corrente que compõe a esquerda da P2 tem demonstrado um descontentamento no que diz respeito à maneira de agir, de pensar, dos dirigentes da Posição 2, eles não tem ousado exprimir abertamente aos suas divergências e tem votado a moção sem qualquer reserva explícita. Até agora eles tem renunciado a apresentar uma alternativa ao quadro mesmo do debate, muito eleitoralista, e às duas posições em disputa – por uma frente permanente com os reformistas ou para manter o NPA tal como ele é – que não responde, nem a um nem a outro, à crise profunda dentro da qual o NPA se afundou.

Por uma refundação revolucionária do NPA

Longe de ser indiferentes à necessidade de impor uma derrota à direita do partido e à sua política, os eleitos da Posição 4 para o CPN se opõem de forma fechada, até propor uma dissociação do voto sobre a moção que proporia uma candidatura independente do NPA para permitir a todos que se opuseram à liquidação política proposta pela direita de encontrar sobre seu voto, sem para tanto nos engajar no programa (ou na ausência de programa) do bloco que obteve a maioria, mas isso nos foi recusado.

Entretanto, nós não caímos na armadilha de acreditar que uma simples defesa “projeto original do NPA” pode ter o efeito de uma verdadeira resposta à crise política do partido, e isto é precisamente porque esta crise é de fundo uma crise de projeto ele mesmo. Nós refutamos, por outro lado, a ideia que uma crise que está ligada em grande medida ao peso superestimado dado aos pontos eleitorais e à ocupação de espaços midiáticos, que pode resultar num plano eleitoral e encontrando um novo porta-voz eleitoral para substituir Besancenot.

Ao contrário, nós estamos convencidos de que a crise profunda do NPA demanda uma resposta profunda e radical, uma verdadeira refundação do partido. Não àquela proposta pela direita, mas uma que seja diametralmente oposta, que contraste, resolva as ambigüidades estratégicas do projeto de NPA, colocando um fim em toda ilusão eleitoralista para construir um partido abertamente revolucionário, o qual coloque toda a sua energia numa construção séria no seio da classe trabalhadora e que procure por todos os meios se fundir com os melhores elementos da vanguarda dos trabalhadores/as e da juventude que se provou nas últimas lutas sociais na França.

Uma refundação para colocar no lugar um partido capaz de responder as apostasdo período, de constituir uma direção que esteja à altura para dirigir os processos revolucionários à vitória já que os ventos do Magreb chegarão definitivamente na França. Mas, para isso, é preciso refutar todas as tentações de construção superficial e sobre bases eleitorais, é preciso parar de flutuar ao sabor da corrente, é preciso, ao contrário, nadar contra a corrente quando se é preciso, como é o caso do combate necessário contra a intervenção de nosso próprio imperialismo na Líbia. Pois quando a corrente mudar e ir de encontro aos grandes enfrentamentos revolucionários entre as classes, os reformistas e os eleitoralistas serão como peixes fora d´água, e é para isto que nós devemos nos preparar.

 

Categorias:Sem categoria
  1. Nenhum comentário ainda.
  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: