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Nem dissolução na “esquerda da esquerda” nem resignação a uma candidatura “ defensiva” do NPA (Novo partido anticapitalista).

por Dani Cobet

(Tradução: Flávia Adamski)

Por uma campanha e uma orientação à altura dos desafios do período!

Mal se passaram alguns meses de seu primeiro Congresso que desenvolveu toda a profundidade da crise pela qual atravessa o NPA, @s militantes do partido foram mais uma vez chamados a elegerem delegados em base a moções alternativas, dessa vez por uma Conferência Nacional sensibilizada a resolver a questão de nosso “processo eleitoral”. Os únicos dados até o momento sobre a participação d@s militantes dão conta de mostrar que a crise está longe de ter sido superada: 3100 militantes declararam seu voto, dentre os quais mais de um terço por procuração, contra 4500 no Congresso em fevereiro e mais de 9000 cartas anunciadas no Congresso de fundação.

Dentro desse contexto, esperaríamos que uma Conferência Nacional se prestasse às questões de orientação e sobre como superar a crise. Bem ao contrário, os 240 delegados reunidos durante todo o fim de semana na faculdade de Nanterre apenas se pronunciaram sobre a questão das eleições presidenciais de 2012 e mais precisamente a respeito das alianças eleitorais de que o partido desejará constituir bem como sobre o candidato que ele apresentará.

Três moções alternativas foram propostas aos militantes: a moção A, resultado de um acordo entre a antiga Posição 2 e uma parte da Posição 1 apresentadas ao Congresso, que propuseram uma candidatura própria do NPA sem precisar o programa e a orientação dessa candidatura; a moção B, reagrupando a parte restante da Posição 1 e a Posição 3, que propuseram a continuidade das discussões com a Frente de Esquerda [Front de Gauche] tendo em vista criar um perfil “unitário ao processo eleitoral do NPA”; e a moção C, apresentada pela Posição 4 e por um setor minoritário de camaradas antigos à Posição 2 que propuseram também uma candidatura independente do NPA mais sobre a base de um programa de luta de classe (classista) e revolucionário, como um primeiro passo para uma reorientação do partido.

A Conferência não fez mais que confirmar os resultados das Assembléias Gerais eletivas: com uma estreita maioria (50,4%) a moção A chegou ao topo, seguida pela moção B (40%) e mais de longe pela moção C (5,8%).

Uma nova maioria, mas é um passo adiante?

O bloco que deu apoio à moção A e em particular os camaradas da antiga Posição 2 apresentaram o resultado da Conferência Nacional e a construção de uma nova maioria como um grande passo adiante. Embora longe de apontar a uma clarificação das ambigüidades que estão na origem da crise e que tem deixado as portas abertas à orientação liquidacionista dos partidários do texto B, esta nova maioria está constituída numa parte em torno de uma simples orientação eleitoral e em outra, a maior confusão, e, sobretudo à renúncia por sua ala à esquerda (a Posição 2) do programa que ela havia defendido quando do Congresso, para além dos limites dos textos apresentados pelos camaradas e que nós já criticamos à época.

Durante toda a Conferência, os partidários da moção A originários da Posição 1 não intervieram de forma alguma para se afirmar contra aquilo que criticavam acerca do caráter vazio de conteúdo programático desta moção, que eles não teriam necessidade de avançar a um programa pois o programa que já existia era o texto “ Nossas respostas para a crise” [1], defendido pelas Posições 1 e 3 no Congresso de fevereiro.

Lembremos o que diziam os camaradas da Posição 2 antes do Congresso sobre este texto e para justificar o fato de apresentar um  texto alternativo: “há um problema mais geral que os camaradas não chegaram a resolver apesar dos retoques sucessivos: a ausência de uma resolução que deveria estruturar todo o texto fazendo a ligação entre as reivindicações levantadas pelos trabalhadores nas lutas de hoje e a tomada do poder. Isto é, as ambigüidades que existem fundamentalmente sobre esta questão, a idéia em particular de um governo ‘à serviço da população’ que se apoiasse nas lutas, mas que não seria diretamente a partir de novas formas de poder colocadas pelo mundo do trabalho e o conjunto da população nas lutas; e no fundo uma concepção um tanto ambígua da ‘ruptura com as instituições’ que se revela finalmente bem compatíveis com a idéia de uma constituinte e de uma VI República tal como defende (ao menos na fala) Mélenchon [2] ”.

E, no entanto quatro meses mais tarde, estes camaradas se silenciam face à afirmação insistente dos camaradas da Posição 1 afirmando que “Nossas respostas face à crise” será a base programática da campanha. Eles chegam mesmo a dizer que o problema não é programa, pois sobre ele nós estaremos todos de acordo no partido. Logo, ao menos no que concerne à Posição 2 e ao que ela defendia até ontem, é sobretudo um passo atrás que ele precisaria falar! A confusão é tamanha que nós poderíamos então nos encontrar na situação grotesca de deixar uma campanha sancionada pela Posição 2, dirigida pela Posição 1…com o programa da Posição 3.

Partidários do texto B que são bem mais claros…

A ala do partido reagrupada em torno do texto B tem ao menos o mérito de ser clara. Não se colocando enquanto oposição absoluta entre os projetos estratégicos do NPA e os que compõem a Frente de Esquerda (FdG) ela propõe encampar um processo eleitoral unitário visando não somente as eleições de 2012 mas também constituir uma eventual oposição de pressão a um governo PS ( Partido Socialista ) com o PCF ( Partido Comunista Francês ) e o PG ( Partido da Esquerda ). Seu projeto é uma refundação do NPA sobre as bases de um projeto de uma frente política permanente com as organizações reformistas do FdG. Não tendo nenhuma delimitação estratégica com o reformismo ela não vê qualquer razão para que o NPA mantenha a todo custo sua independência, com o risco de aparecer como “ sectário ”.

Desde a Posição 4 nós nos opomos firmemente a estas posições e nós consideramos que elas consistem na redução da direita às delimitações do NPA, já bem fracas. Isto levaria a quebra do partido numa esquerda institucional e dócil incapaz de apresentar qualquer alternativa face a uma extrema direita que se apresenta como radical e anti-sistema. Isso seria repetir os erros dos quais o NPA reivindicou ter tirado lições, notadamente na Itália e no Brasil. A participação em organizações reformistas no fim das contas levou à participação nos governos Lula e ao apoio ao governo Prodi na Itália quanto à gestão em escala nacional dos negócios capitalistas, incluindo a repressão contra os camponeses sem-terra no Brasil ou ao envio de tropas no Líbano ou para o Afeganistão da parte da Itália.

Embora, a recusa dos partidários da moção A de reduzir a questão da delimitação com os reformistas e apresentar conseqüentemente a impossibilidade de uma candidatura comum da “ esquerda da esquerda ” como uma simples questão de conjuntura ( “ as discussões não devem se encerrar ” ) continuará a alimentar o aparecimento e o reforço das alas à direita que se opõem ao “ isolacionismo ”. Pois, como dizia um dirigente ao apoiar o texto B, a Frente de Esquerda não desaparecerá depois das eleições e o NPA continuará devendo responder sobre o porquê de ter “ recusado a unidade ”.

A respeito dessas posições, a direita do partido decide dar ela mesma um passo a frente… e de se dirigir ela mesma talvez a porta de saída. Ela se constituirá numa corrente pública para reagrupar os 40% dos militantes que ela representa. Ela entende, senão com suas próprias palavras, se dar os meios de fazer viver o projeto fundador do NPA permitindo a cada um que o encontre por conta própria. Resta vermos quais serão os “ meios ” pelos quais se dará esta oposição de direita e se ela irá ou não até apoiar a candidatura da Frente de Esquerda a despeito daquela do NPA.

Um bom candidato não basta

Nesse quadro de crise e de confusão que o NPA continua a atravessar, a candidatura de um operário do setor automobilístico tendo liderado uma luta em defesa dos empregos na Ford Blanquefort é uma boa notícia. De nossa parte, enquanto Corrente Comunista Revolucionária ( Courant Communiste Révolutionaire, CCR ), nós consideramos hoje que nesse contexto de ofensiva da Frente Nacional ( Front Nacional – partido da extrema direita, partido de Marine Le Pen* ) para ganhar as vozes dos operários e de um contexto de abandono pelo PS desta parte do eleitorado e depois a decisão de Olivier Besancenot de não se apresentar como candidato, o NPA deveria colocar a frente um operário de suas fileiras enquanto candidato. O anúncio do projeto de fechamento das plantas da PSA Aulnay e Sevelnord vem reforçar esta idéia como a mais apropriada. É nesse sentido que temos colocado à disposição do partido o nome de Vincent Duse, operário na Peugeot Mulhouse e membro de nossa corrente. Vincent anunciou retirar sua candidatura caso Philippe Poutou escolhesse representar o partido nas presidenciais, e isto a despeito das diferenças programáticas e políticas que nós temos com os camaradas do texto A que propuseram sua candidatura.

No entanto, como nós dissemos no decorrer da Conferência, um bom candidato não é suficiente. É preciso igualmente um bom programa e uma boa orientação, o que a nova maioria justamente tem se recusado a definir. Os primeiros resultados desta recusa são vistos infelizmente já nas primeiras falas públicas de Philippe Poutou. Apesar de seu carisma e de suas qualidades de orador ele é visto muito rapidamente preso pelas questões às quais o NPA não sabe até o momento dar uma resposta satisfatória. Questionado sobre a chamada “ estratégia fechada ” do NPA e sobre porque o NPA não fez aliança com a Frente de Esquerda no Grande Jornal do Canal Mais em 27 de junho ele respondeu : “ Isso já aconteceu nas eleições locais ou departamentais recentemente, já aconteceu em outras eleições […] não houve acordo dessa vez, como houve na última vez, nós não estamos a ponto de dizer ‘ legal, a gente não está junto ‘, nós gostaríamos de nos encontrar e nos sentir mais forte efetivamente. A gente não conseguiu. Não é necessário mais dramatizar, nós estamos juntos também nos combates no quotidiano. Por exemplo, na luta de Ford, Mélenchon veio nos apoiar. Eis então, é também isso que é preciso vermos. Várias vezes o revolucionário é que é o orgulhoso, que é o sectário, e não, isto não é assim, é mais complicado que isso. E é verdade que hoje existem desacordos entre a Frente de Esquerda, entre Mélenchon e nós, eles existem. É isto que nós não chegamos a resolver no momento. A gente pensa que tem o direito de existir, a gente tem o direito de apresentar uma candidatura sem sermos forçadamente taxados como quem não quer estar com os outros, pois então, é mais complicado que isso…[3] ”.

Infelizmente parece que para o NPA é sempre “ mais complicado que isso ” para responder a questão sobre nossas delimitações estratégicas com os reformistas. E isto não está continuando a dizer que se trata de apenas “ esta vez ” que a aliança não tem sido possível e que é uma pena não podermos nos “ sentir mais fortes ” ao lado de um gentil Mélenchon, com quem a gente se encontra no entanto, nas lutas (sic), em função de desacordos nos quais o conteúdo jamais é precisado que nós poderemos nos defender das acusações de sectarismo…Seria preciso ao contrário, mostrar como, apesar de toda a demagogia dos componentes da Frente de Esquerda, se recusam a dizer que eles não participarão em nenhum caso de um governo PS e não abandonaram a idéia de uma união da esquerda que já é uma realidade em numerosas cidades, departamentos e regiões. Mas tudo isto é coerente com a estratégia deles de revolução por meio das urnas que não é uma fachada da gestão de instituições capitalistas. Trata-se, sim, de uma estratégia diametralmente oposta a essa, de uma revolução social que deveria inverter essas mesmas instituições. Isso é ainda mais grave no momento no qual nos preparamos para um possível governo PS que será responsável por aplicar na França os planos de austeridade que ele apóia, pela social-democracia que intervém na Grécia, Portugal e Espanha. Dizer isso seria a única forma  de não cair na defensiva com relação à questão da unidade e de dar um perfil verdadeiramente anticapitalista e revolucionário à candidatura de Phillippe.

O establishment político persiste contra toda força potencialmente independente de um governo PS

Mas além desses pontos fracos de nosso discurso político, quando lemos a imprensa burguesa nós não podemos evitar sermos detidos pela violência de certos jornalistas a respeito da candidatura independente do NPA representada por Phillippe Poutou. É como Sylvia Zappi fala em seu artigo em 29 de junho ” revogação sectária “, de ” impulso suicida ” e designou Poutou como um ” desconhecido eleito sob uma linha sectária digna dos anos 1970 “. Por que tanto furor contra uma organização que, como Zappi não se furta de lembrar a cada ocasião, não pesa mais de 0,5% até o momento nas sondagens? Por que essa pressão permanente à ” abertura “, entendida como dissolução na ” esquerda da esquerda “?

Para melhor compreender é preciso ver um certo cálculo da parte destes que se encontram por trás das Sylvia Zappi e dos jornais tais como Le Monde. A vitória do PS em 2012 aparece como uma hipótese provável, o contexto europeu sendo este que é ( e a situação grega nos dá uma boa imagem, uma boa noção ), nós podemos lembrar que isto é uma experiência em escala de massas que se faz mais uma vez com esta esquerda institucional que põe em destaque cuidadosamente os planos do capital impondo aos trabalhadores ” sangue e lágrimas “. Diante desse cenário, os editores-em-chefe e os ” jornalistas ” prolixos da ” esquerda burguesa ” temem que a existência de uma força verdadeiramente independente à esquerda desse governo possa canalizar o descontentamento operário e popular.

Impulsionemos uma campanha anti-capitalista e revolucionária que esteja à altura da ” contra-revolução ” social sem precedentes que se prepara na Europa

Contra a política tímida da nova maioria que nos arrisca a limitarmo-nos a um papel de esquerda testemunhal, é possível tirar proveito da crise atual da burguesia européia para passar a ofensiva. A Grécia nos mostra o que a burguesia está disposta a fazer. É forte a probabilidade de que é igualmente neste sentido que a patronal se prepara contra nós, aqui, na França. A reforma das aposentadorias deste outono foi apenas um tira gosto. É nesse sentido que nos é preciso uma orientação revolucionária, classista e internacionalista, igualmente no quadro da campanha eleitoral que estamos prestes a conduzir.

Seria preciso realizar uma campanha que explique que no cenário da ” contra revolução ” em curso e de seu aprofundamento, o que se prepara para os próximos anos são ataques monstruosos e uma queda sem precedentes nas condições de vida; que num país como a França onde 55% das despesas provêm de transferências sociais e 20% das remunerações de funcionários, um plano rigoroso para reduzir o déficit é obrigado a cortar as aposentadorias, as bolsas de auxílio médico, as pensões familiares, o seguro desemprego, o salário mínimo, suprimir ainda mais postos no funcionalismo público e territorial, aumentar os impostos, etc; face a isso a alternativa socialismo ou barbárie nunca foi tão atual e o único programa capaz de responder é àquele da revolução socialista e do poder dos trabalhadores.

Devemos conduzir uma campanha que se apoiasse no exemplo das revoluções árabes e das mobilizações dos trabalhadores e dos jovens que na Grécia e no Estado Espanhol enfrentaram nas ruas a política dos governos que se auto proclamam socialistas; uma campanha na qual os principais eixos deveriam ser a defesa dos trabalhadores contra os ataques da classe dominante à imagem das ameaças de fechamentos das plantas da PSA em Sevelnord e Aulnay, mas também a luta contra nosso próprio imperialismo que oprime e fere os povos como na Líbia.

Nenhuma outra orientação senão essa pode responder à situação histórica que a burguesia e a patronal contam preparar para nós, a menos que haja céticos incorrigíveis a pensar que tais ataques na França e na Europa poderiam passar de letra sem que se gerassem importantes fenômenos de resistência. É porque estamos convencidos dessa perspectiva que nós combatemos não somente para impedir uma nova guinada à direita do partido mas para igualmente lhe imprimir uma estratégia e uma orientação revolucionárias.

Nada garante bem entendido que com uma campanha como essa que nós propomos nós faríamos uma pontuação extraordinária. Isso permitiria, no entanto, criar laços com os setores mais avançados dos trabalhadores que dirigem estas numerosas lutas ” invisíveis ” nesse momento. Isso nos permitiria, sobretudo, estarmos bem colocados para darmos um passo adiante com os trabalhadores e os jovens desde já e depois de 2012 para aspirarmos jogar precisamente este papel que a burguesia quer nos impedir acusando-nos de ” sectarismo “. Seria um primeiro passo para uma refundação do NPA em bases revolucionárias, a única possibilidade para reviver o NPA enquanto ferramenta política e de luta de classe para milhares de trabalhadores e jovens que se enfrentarão inevitavelmente diante dos ataques da patronal e do governo no próximo período e a fim de impedir o progresso da extrema direita populista. Tudo isso ainda é possível, contanto que se opte por uma clarificação política e não pela confusão como faz até agora a esquerda do partido.

[1] Este texto foi apresentado no Congresso do partido por uam comissõa que reagrupou os membros das Posições 1 e 3. Está disponível no site do NPA. Nós o temos, em nome da Plataforma 4, vivamente criticado, notadamente dentro de nossa plataforma, disponível no site da CCR.

[2] ” ‘ Nossas respostas para a crise ‘ não convém ao NPA ” , disponível no site do NPA.

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