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Vertigem na economia mundial

por Paula Bach

Tradução: Iuri Tonelo

 

 

 Com a combinação da crise europeia e norteamericana e a essência grotesca da negociação “in extremis”, a economia mundial esta transitando por uma situação inédita do ponto de vista histórico. Uma vertigem incessante perpassa os Estados Unidos e Europa. O mundo espera a opinião e a ação das classificadoras que são as que parecem dar o veredito final. Por trás do acordo alcançado por Obama e os Republicanos, as agencias mantiveram a classificação AAA da dívida norteamericana, mas Moody’s y S& P o passaram de “estável” a “negativa”. Já a havia rebaixado a nota a zona euro enquanto se desatava a crise no Capitólio. Com o fechamento do acordo entre Democratas e Republicanos, começam fortes quedas das bolsas nos dois lados do Atlântico. O ouro, os bônus alemães e o marco suíço estão atuando como refugio alternativo de valor ante a queda do dólar e do euro. A Suíça anunciou que vai incrementar liquidez e reduzir a margem de flutuação da taxa libor (seu principal instrumento de política monetária) em 0,5%. Por sua vez os bônus do tesouro continuam atraindo massas incrementadas de capitais devido às escassas fontes de segurança internacional existentes.

QE3? E Fundo de Estabilização Europeu

Nos EUA, Dow Jones caiu 8 dias consecutivos, questão que parece que só sucedeu 7 vezes na história, incluindo o ano em que os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial. Na Europa, pelas vendas de ações desta semana, esfumaçaram-se mais de 400.000 milhões de euros de capitalização do mercado de índices lideres de Alemanha, Reino Unido, França, Itália, Espanha e Holanda ou o que é o mesmo, quase o equivalente ao volume com o que conta o Fundo de Estabilização Europeu para efetuar resgates. A muito aludida máxima de Churchill que dizia que “Estados Unidos sempre fazem o correto depois de esgotar todas as alternativas” caracteriza bem agora o modus operandis tanto dos EUA como da Europa. Existe de fato uma forte pressão na Europa para que se ponha em prática o plano de resgate à Grécia, que o BCE ative compras nos mercados secundários por um volume maior do que o está fazendo ou que incrementam o montante do Fundo de Estabilidade Europeu para assegurar um eventual resgate de Itália e/ou Espanha (4° e 3° economias da zona, respectivamente). Em uma ação que resulta insólita, a classificadora de risco S&P exigiu ao BCE que intervenha. Isto é um “diálogo” que se dá diretamente “sobre o recinto”. As agencias que empurram a queda e enquanto avisam aos governos ou organismos monetários que é o que tem que fazer para que eles deixar de apertar. Por sua vez os governos e cúpulas arriscam planos tateando a reação dos mercados e classificadoras. Ante a muito ruim perspectiva da economia norteamericana e das ações, o Dow Jones, Nasdaq e o S&P 500 fecharam os 3 ontem em terreno positivo. Especula-se que isto responde a que se estaria preparando uma nova ronda de medidas monetárias, um QE3.

Limites da intervenção estatal

Pode interpretar-se que está forma de ação limite, ao fim do abismo, esta parodia de negociação in extremis de governos, congressos e cúpulas, frente ao olhar ameaçador das classificadoras, corresponde tanto ao peso do capital financeiro globalizado representado nas agencias como a limitada capacidade de ação com a que hoje contam os Estados. O que está sucedendo, a forma em que estão se desenvolvendo os acontecimentos são uma prova dessa limitada capacidade de ação. Não necessita esperar muito, já se pode ver que não estão podendo atuar como fizeram logo da crise de Lehman. A base estrutural da situação de debilidade é que estão combinando elementos claramente recessivos (situação dos Estados Unidos e zona euro) ao mesmo tempo que estão aplicando cada vez piores ajustes e cortes. Está situação é evidente que não tem um “bom final”. Em última instancia seria algo assim como deixar atuar a crise…É uma situação que em certo modo se parece a 1937 nos EUA quando Roosevelt retirou os estímulos. Uma grande diferença é que em ’37 a economia não estava caindo. A queda começou quando se retirou os planos. A situação atual é em um sentido pior porque a queda já começou e paralelamente se produziu à retirada continua de estímulos e o incremento de ajustes e cortes. Este é em grande parte o limite que tem os Estados para intervir evitando um novo Lehman por mais que o queiram. É obvio que a burguesia tem tirado suas lições tanto dos anos 30 como de Lehman pelo que não é muito difícil imaginar que não desejam evitar um novo Lehman. O problema é que para evitar um novo cenário parecido ao de fins de 2008 é provável que necessitem aplicar uma quantidade de recursos que são precisamente os que estão tentando reduzir. Existe uma espécie de contradição em termos entre retirada de planos, cortes de gastos, etc. e intervenção o suficientemente contundente para evitar um novo Lehman. Ainda que não se possa descartar a aplicação de planos mais contundentes como último recurso, parecia ser que estes elementos são os que estão detrás desta situação explosiva que não deixa de se desenvolver nem termina de explodir.

 

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